6 de Agosto de 2016 / às 18:01 / um ano atrás

Dois títulos mundiais e dois tombos depois, Diego Hypólito finalmente se realiza nas Olimpíadas

Diego Hypólito 06/08/2016 REUTERS/Dylan Martinez

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Com dois títulos mundiais e muitas outras conquistas internacionais, o nome Diego Hypólito é quase um sinônimo de ginástica masculina no Brasil, mas a história do atleta em Olimpíadas tinha a decepção como marca. Até este sábado.

Aos 30 anos, o ginasta recebeu a maior ovação da plateia na Arena Olímpica do Rio durante a prova de classificação e chorou bastante após se apresentar no solo, aparelho em que foi o melhor do mundo em 2005 e 2007, mas em que também sofreu quedas dolorosas nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e Londres 2012.

Ao final da primeira etapa de classificação, o brasileiro terminou com a segunda melhor nota (15.500), à frente do atual campeão mundial, o japonês Kenzo Shirai (15.333), e atrás apenas de Kohei Uchimura, também do Japão (15.533), o que significa que tem grandes chances de conseguir uma vaga entre os oito finalistas.

“É muito difícil você enfrentar duas quedas olímpicas, é muito difícil você se propor a dar a sua cara a tapa mais uma vez nos Jogos Olímpicos”, disse Diego depois da prova, revelando toda sua satisfação por ter conseguido acertar a série nas eliminatórias.

“Consegui fazer simplesmente o que eu fiz no treinamento, e minha alma ficou lavada, porque eu não imaginava. Muito pouco tempo atrás eu nem estava classificado para a Olimpíada”, acrescentou o ginasta, que ficou em 6o em Pequim e apenas em 59o em Londres.

Em meio a um processo de renovação da ginástica artística masculina do Brasil, que nos Jogos Rio 2016 disputa pela primeira vez uma Olimpíada com equipe completa, Diego só foi confirmado de última hora entre os integrantes do time brasileiro, diante de resultados inconstantes e lesões nos últimos anos.

Depois da confirmação da vaga, o ginasta mais experiente da equipe brasileira passou a treinar com seu colega de time e atual campeão olímpico das argolas, Arthur Zanetti, e o treinador dele, Marcos Goto. Hypólito fez muitos elogios à dupla, descrita por ele como de “gênios” e a quem creditou em parte pela boa apresentação no Rio.

Outro incentivo veio do técnico multicampeão de vôlei Bernardinho, com quem o ginasta conversou na Vila Olímpica na véspera de sua estreia nos Jogos Olímpicos em casa, por sugestão de Goto.

“Ele me mostrou uma coisa de confiança, porque muitas vezes a gente acha que uma Olimpíada é um bicho de sete cabeças, uma competição que não existe. Uma Olimpíada não é diferente de um campeonato mundial e uma Copa do Mundo, por isso que acho que consegui fazer o que me preparei, consegui manter a calma”, afirmou.

Sobre as lágrimas derramadas logo após sua apresentação, que foram recebidas pelo público com uma enorme ovação ao ginasta, Diego disse que foram a manifestação de todo o trabalho e das dificuldades vividas ao longo de 12 anos de carreira.

“O choro veio porque foram 12 anos de trabalho. No começo da minha carreira eu ganhava Mundial, outro Mundial, todas as Copas do Mundo, sempre ouro, ouro, ouro, e quando eu tive a queda de Pequim eu tive que me reerguer como pessoa. Depois disso nem sempre o ouro era o mais importante, e sim competir bem”, disse. “Foi um momento único, eu fiquei muito emocionado”.

Edição de Tatiana Ramil

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