Refugiada síria Mardini, uma verdadeira vitoriosa nas águas do Rio

sábado, 6 de agosto de 2016 20:05 BRT
 

Por Alan Baldwin

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Foi o que Yusra Mardini não disse, em vez do que convencionalmente um atleta diria após um grande desempenho, que mostrou a grandeza do feito da jovem nadadora em sua estreia em uma piscina olímpica neste sábado.

"Eu estava apenas pensando na água e nas últimas competições que tive, e onde estou agora", disse a síria, competindo pelo time de refugiados, aos jornalistas quando perguntada sobre o que passou pela sua cabeça antes da bateria dos 100 metros borboleta.

Primeira das refugiadas a entrar em ação, ela olhou para baixo, pensativa, por alguns segundos antes de subir na plataforma de mergulho.

"Eu deixei a natação por dois anos, então agora estou trabalhando para voltar ao meu nível", disse a nadadora, de 18 anos, que venceu sua série com cinco nadadoras, mas acabou em 41º no geral, perguntada sobre seu tempo em comparação com tempos anteriores que ela conseguiu nas piscinas.

Não havia por que explicar aos jornalistas sobre sua pausa forçada de dois anos na carreira. O Rio de Janeiro é uma realidade muito distante daquela em que começou a nadar. 

Nesse meio tempo, ela teve de fugir da Síria, fazendo uma perigosa travessia marítima da Turquia até a Grécia e chegando a Berlim no último ano com sua irmã.

Ela teve de nadar em um trecho para a ilha de Lebos, ajudando outros refugiados que estavam na água e não sabiam nadar.

"Foi um pouco difícil pensar que, sendo uma nadadora, você poderia terminar morrendo na água", disse mais tarde.

Nadadora profissional na Síria, ela agora é parte de um time de refugiados apoiado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Já se encontrou com o papa Francisco e tem sido festejada no Rio. 

"Foi realmente muito legal e tudo tem sido maravilhoso, todo mundo tem nos dado as boas-vindas", disse ela, sobre a cerimônia de abertura.

 
Syrian refugee team swimmer Yusra Mardini, 18, practices at the Olympic swimming venue in Rio de Janeiro, Brazil, August 1, 2016. 
REUTERS/Michael Dalder