Ginastas da Rússia se concentram em competições após polêmica pré-Rio 2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016 10:35 BRT
 

Por Pritha Sarkar

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em vez de se deixarem distrair pela incerteza que pairou sobre sua participação na Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016 após o escândalo de doping que envolveu seu país, os ginastas da Rússia canalizaram a energia no esforço para superar a China na segunda-feira.

O país, que não conquistava uma medalha por equipe há uma década e nenhuma honraria olímpica de equipe desde 2000, deu uma lição de humildade à China derrotando os campeões olímpicos de 2008 e 2012 e ficando com a prata na final masculina, só atrás de uma equipe japonesa triunfante.

"Estávamos em uma situação realmente difícil antes dos Jogos, não sabíamos se conseguiríamos competir ou não", disse Nikolai Kuksenkov aos repórteres.

"Este desempenho da nossa equipe mostrou que somos realmente fortes e que podemos lutar por medalhas, mesmo quando os outros não querem que o façamos", disse.

Se os representantes russos do atletismo e do halterofilismo se tornaram persona non grata no Rio após a revelação de um esquema de doping sistemático patrocinado pelo Estado russo, os ginastas Kuksenkov, Denis Abliazin, David Belyavskiy, Ivan Stretovich e Nikita Nagornyy descobriram que todas as suas horas, dias, meses e anos de treinamento podiam dar em nada quando também foram arrastados para dentro do drama.

Como a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) recomendou uma proibição coletiva para todo o contingente de atletas do país, eles precisavam de um sinal verde do Comitê Olímpico Internacional (COI) para competir na Rio 2016, embora já tivessem se acomodado na Vila Olímpica.     

Em lugar de se preocuparem com coisas fora de seu controle, eles preferiram se concentrar no que conhecem melhor –e isso lhes garantiu uma medalha surpreendente na Olimpíada pela primeira vez desde que conquistaram um bronze em 2000.

Indagado sobre como superaram as críticas, Kuksenkov acrescentou: "Acreditando no positivo e acreditando na justiça no mundo."

Para uma nação que outrora dominava a ginástica masculina e que, com a Rússia ou com os países do antigo bloco soviético, conquistou o título de equipe em quatro de cinco Olimpíadas entre 1980 e 1996, o sucesso de segunda-feira representou uma bem-vinda retomada da boa forma.

 
Ginastas russos comemorando após medalha de prata na Rio 2016.   08/08/2016       REUTERS/Mike Blake