Velejadores discordam de reclamações sobre qualidade da água no Rio

terça-feira, 9 de agosto de 2016 19:11 BRT
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Apesar dos relatos sobre os níveis perigosos de poluição na Baía da Guanabara e o temor de que o lixo flutuante possa danificar ou frear os barcos dos competidores, velejadores da Olimpíada estão mostrando pouco ou nenhum medo das águas da capital fluminense.

Após o primeiro dia de provas da regata olímpica, na segunda-feira, atletas encharcados depois de horas de competição zombaram das dúvidas sobre sua segurança e dos riscos à saúde despertados por estudos que revelaram níveis altos de bactérias e vírus.

Muitos disseram que os perigos de se velejar no Rio foram exagerados e temem que as preocupações com a água estejam eclipsando algumas das disputas mais empolgantes e desafiadores de suas vidas. Pior do que isso é seu temor de que esses questionamentos minem uma das melhores chances da história de se ampliar o interesse por um esporte que exige tanto perícia física quanto inteligência afiada.

"As pessoas exageram a esse respeito, claro que não está ótima, mas também não está ruim", opinou Tom Burton, competidor australiano da classe Laser. "Não vi lixo nas linhas de maré. A água está boa, estou aqui faz bastante tempo e está boa."

Nas semanas que antecederam a regata, o capitão da equipe alemã da classe 49er de dois tripulantes, Erik Heil, expressou sentimentos parecidos.

Heil gerou manchetes depois de ser tratado na Alemanha por uma infecção após uma regata de teste no Rio no ano passado. Ele disse não haver maneira de se saber ao certo onde contraiu a infecção, que existe naturalmente no organismo de muitas pessoas.

Os velejadores brasileiros, muitos dos quais cresceram navegando na Guanabara, estão cientes dos problemas e acham que os críticos estão se melindrando excessivamente.

Posicionadas no alto do ranking, as equipes de vela britânica, alemã e croata disseram estar adotando precauções, como tomar vacinas contra hepatite e banhos após as provas, embrulhar as garrafas de água em sacos com fecho hermético e usar enxaguante bucal caso engulam muita água.

"Já velejei em condições piores e acho que a situação da poluição das águas está sendo exagerada", disse Andrew Lewis, de Trinidad e Tobago, que compete na classe Laser.

"Esta é minha quinta vez no Rio, e nunca fiquei doente nem peguei nenhuma infecção. Acho que está na hora de toda essa reclamação acabar."

 
O velejador brasileiro Jorge Zarif é fotografado antes do início da competição na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro
09/08/2016
REUTERS/Brian Snyder