Polêmica sobre doping e ecos da Guerra Fria azedam o clima na Rio 2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016 20:05 BRT
 

Por Mark Trevelyan

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O chefe da natação russa, Vladimir Salnikov, disse nesta terça-feira que a atmosfera hostil contra a equipe olímpica da Rússia faz lembrar a Guerra Fria, uma vez que esporte, doping e política formaram uma mistura polêmica que está azedando o clima dos Jogos do Rio.

Escândalos de doping ofuscaram os preparativos para o Rio e, longe de se apagarem com a competição em andamento, foram retomados com competidores norte-americanos e australianos chamando os rivais russos e chineses de trapaceiros e dopados.

A chefe da delegação australiana, Kitty Chiller, declarou que o país não iria se desculpar com Pequim depois que o nadador campeão Mack Horton acusou o rival chinês Sun Yang de dopado, num comentário que levou centenas de milhares de internautas chineses a bombardearem Horton nas redes sociais exigindo desculpas.

Um drama similar ocorreu entre a nadadora norte-americana Lilly King e a russa Yulia Efimova, que foi duas vezes suspensa por doping no passado. Efimova chorou depois que King a venceu na segunda-feira nos 100 metros peito e se recusou a parabenizá-la depois da prova.

Vaias foram ouvidas no Estádio Aquático para Efimova, e outros nadadores russos também foram alvo da torcida. Alguns espectadores chineses também vaiaram nadadores australianos.

"Eu acho que toda a atmosfera é muito estranha”, disse Salnikov, que ganhou quatro medalhas de ouro na natação nos anos 1980, durante um período de tensões entre os EUA e a União Soviética, que fez com que as duas superpotências boicotassem os Jogos de uma e da outra.

Ele disse que o cenário agora está parecido com o passado, “quando tínhamos a situação com a Guerra Fria, e tudo era Rússia contra EUA, e um monte de pessoas colocava óleo no fogo para torná-lo maior”.

“Essa é uma nova rodada, mas eu acho vamos sobreviver”, afirmou ele à Reuters, reclamando que “muitas pessoas têm uma atitude preconceituosa com os nossos atletas”.   Continuação...

 
Nadadoras Lilly King, dos EUA, e Yulia Efimova, da Rússia. 08/08/2016 REUTERS/Dominic Ebenbichler