Cultura é segredo da velocidade jamaicana, diz autor de livro sobre Bolt

sábado, 13 de agosto de 2016 17:46 BRT
 

Por Mitch Phillips

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Na década passada, Usain Bolt e outros nomes levaram a Jamaica a ser o país da velocidade no atletismo, tirando o trono que os Estados Unidos ocuparam desde o início dos Jogos Olímpicos, em 1896.

Após ganhar cinco ouros em 13 Olimpíadas de 1948 a 2000, a Jamaica viu sua sorte mudar dramaticamente: foram dois em Atenas 2004, cinco em Pequim 2008 e quatro em 2012. Ou seja, 10 das 18 medalhas dos eventos de velocidade foram para a ilha.

Bolt sozinho tem 6 ouros, dois em cada uma das provas a seguir: 100m rasos, 200m rasos e 4x100m rasos. Ele tentará uma improvável trinca no Rio, e sua busca começa neste sábado, nos 100m.

Richard Moore, jornalista especializado em ciclismo e autor, ficou fascinado com as provas de velocidade e entrou no submundo das pistas ao escrever o livro "The dirtiest race in history", sobre Ben Johnson e a final dos 100m rasos em Seul 1988.

Assíduo do assunto do doping, ele decidiu que o crescimento jamaicano merecia uma investigação e passou meses conversando com atletas, técnicos, autoridades de doping, mas Bolt não quis participar. O resultado foi o livro "The Bolt Supremacy - Inside Jamaica's Sprint Factory", que será lançado neste mês.

Talvez o velocista soubesse que a motivação de Moore era destronar César, não exaltá-lo, mas dois meses de pesquisas chegaram ao fim sem o menor indício de que Bolt conseguiu seus feitos ilegalmente.

“Eu sentia que Bolt era uma personalidade global que não tinha sido objeto de muito escrutínio fora dos Jogos Olímpicos, porque o atletismo não é um esporte global além do evento”, disse Moore.

“Havia um clima em Londres como se ninguém quisesse estragar a festa perguntando sobre doping. Eu sentia que isso não tinha sido bem explorado, então fiz muitas entrevistas com muitas pessoas que treinaram com ele e seus técnicos, e todos foram muito abertos.”   Continuação...

 
Bolt acena durante eliminatórias dos 100m no Rio.  13/08/2016.  REUTERS/Phil Noble