14 de Agosto de 2016 / às 20:47 / um ano atrás

Saiu um caminhão das minhas costas, diz Diego Hypólito após prata

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Diego Hypólito se sentiu mais leve depois que finalmente conseguiu subir ao pódio em uma Olímpiada, superando quedas dolorosas nos últimos dois Jogos Olímpicos, e destacou sua persistência para conquistar o que chamou de sonho na Rio 2016.

Diego Hypólito beija medalha de prata conquistada na Rio 2016. 14/08/2016 REUTERS/Mike Blake

“Quando eu saí dali (tablado), parece que saiu um caminhão das minhas costas porque era minha terceira Olimpíada, com 30 anos”, disse ele a jornalistas neste domingo depois de terminar em segundo lugar na prova de solo, logo à frente do também brasileiro Arthur Nory, que ficou com o bronze.

“É uma sensação maravilhosa, inexplicável. Nunca desistam do sonho de vocês”, acrescentou, com a medalha de prata no peito.

Campeão do mundo no solo em 2005 e 2007, Diego acumulava decepções em Jogos Olímpicos, com falhas graves em Pequim 2008 e Londres 2012, quando era considerado um dos favoritos. “Quando eu caí de bunda e de cara, me senti extremamente humilhado”, admitiu.

Foi necessário um trabalho psicológico para que o ginasta, também prejudicado por lesões, voltasse o foco novamente para o esporte.

“Já aconteceu de tudo comigo, já tive depressão, já fui internado, voltei a ser medalhista em mundial. Foram muitos altos e baixos e isso mostra que todos nós temos o direito de errar”, afirmou.

“Na última acrobacia me veio o filme de Pequim e nessa hora eu pensei: ´você treinou, você se dedicou, não deixa o seu trabalho ir por água abaixo, vai lá e faz´”.

Diego foi o segundo a se apresentar na final do solo na Arena Olímpica do Rio, logo após o japonês Kohei Uchimura, atual campeão olímpico do individual geral, que teve uma falha ao sair do tablado. Com a nota de 15.533, o brasileiro achou que não iria conquistar medalhas, mas estava satisfeito com o desempenho.

À medida que os ginastas iam se apresentando, a medalha se aproximava, e a ansiedade aumentava. Apenas o britânico Max Whitlock conseguiu nota maior, 15.633.

“Eu estava passando mal, dá muito ansiedade. Minha pressão caiu, comecei a ficar tonto e pensei que fosse desmaiar”, disse. “É muito legal olhar (para a medalha) e imaginar que eu consegui e que tudo valeu a pena.”

“Todos aqui se dedicaram e abdicaram de muitas coisas que são importantes. Isso mostra para o nosso povo que a gente tem sim que sonhar alto. Muitas pessoas falaram que eu não poderia e só os meus esforços e Deus que diziam até onde eu ia, e eu nunca deixei de acreditar que eu podia, nunca”, destacou.

O ginasta, no entanto, não está satisfeito com a prata e pretende continuar competindo. “Esse é o momento mais emocionante da minha vida, vou levar isso para o resto da vida e fazer com que não seja diferente nos próximos anos. Pretendo ir para os próximos mundiais, os próximos Jogos Olímpicos.”

Em meio a um processo de renovação da ginástica artística masculina do Brasil, que nos Jogos Rio 2016 disputou pela primeira vez uma Olimpíada com equipe completa e terminou em 6º, Diego só foi confirmado de última hora entre os integrantes do time brasileiro.

Segundo o treinador-chefe da seleção masculina de ginástica, Renato Araújo, a disputa acirrada entre os ginastas do país por uma vaga na equipe foi positiva.

“Foi uma pressão muito grande que eles sofreram nos últimos anos com as avaliações, mas isso foi bom, porque eu queria essa pressão dentro do treino, para que não fosse tão diferente da competição”, disse.

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