15 de Agosto de 2016 / às 16:46 / em um ano

Crescimento do golfe no Brasil ainda é dúvida apesar de volta do esporte à Olimpíada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Muitos dos brasileiros que estiveram no torneio de golfe da Olimpíada do Rio no fim de semana para assistir ao primeiro torneio olímpico da modalidade em um século dizem que o crescimento do esporte no país não é uma tacada certeira.

Golfista britânico campeão olímpico Justin Rose. 14/08/2016 REUTERS/Andrew Boyers

Torcedores se mostraram curiosamente cativados ao andar em meio a alguns dos maiores golfistas do mundo, mas duvidaram que o golfe irá pegar de fato no Brasil.

“No golfe você precisa de muita paciência. Os brasileiros não são pacientes. Somos mais ansiosos”, disse Lena Salgado, uma das poucas brasileiras que já jogaram uma partida.

O campo construído sobre um trecho de uma reserva natural -que é alvo de contestações na Justiça- irá se tornar uma instalação de uso público após a Rio 2016, um legado em busca da promoção do esporte no país.

Os torcedores brasileiros dizem que a questão central, porém, será o custo.     

As taxas serão de 250 reais para brasileiros e entre 200 e 250 dólares para turistas, e os golfistas terão que pagar cerca de 40 reais para jogar em um campo de treino de quatro buracos, de acordo com a Confederação Brasileira de Golfe.

Em um país que atravessa uma crise econômica e cujo salário mínimo federal é de 880 reais, até a taxa do campo de treino será salgada para muitos – e ainda há o equipamento, que é bastante caro.

“Mesmo 40 reais é muito dinheiro para muita gente, e eles poderiam gastar esse dinheiro em outro lugar, ir à praia e se divertir ainda mais”, disse Taichi Fukai, morador de São Paulo de 16 anos que passeou pelo campo com a família no domingo para ver o medalhista de ouro Justin Rose.

Fukai, que começou a jogar golfe no ano passado em sua cidade, é um dos meros 20 mil golfistas do Brasil, um país de 200 milhões de habitantes. A Argentina, por exemplo, tem 100 mil golfistas.

A indústria mundial de golfe, que vem sofrendo desde a crise financeira global de 2008, viu as vendas de equipamento e vestuário caírem durante vários anos e busca países emergentes como o Brasil para crescer.

Foi para despertar o desejo em praticantes ocasionais e iniciantes que o projetista de campos Gil Hanse incluiu a área de treino no campo olímpico.

O presidente da Confederação Brasileira de Golfe, Paulo Pacheco, disse que o país almeja ultrapassar a Argentina e se tornar a maior nação golfista da América do Sul nos próximos 10 anos.

O Brasil só tem 123 campos, menos da metade dos 319 da Argentina, que tem um terço da população brasileira, de acordo com um relatório de 2015 da R&A, entidade que organiza o Aberto Britânico. Os Estados Unidos, o maior mercado mundial do golfe, tem 15.373 campos.

(Reportagem adicional de Brad Brooks)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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