16 de Agosto de 2016 / às 11:22 / um ano atrás

Ouro de Thiago Braz no salto com vara passa despercebido por maioria dos brasileiros

Thiago Braz durante prova de salto com vara na Rio 2016. 15/08/2016 Kirby Lee-USA TODAY Sports

RIO DE JANEIRO (Reuters) - É costume se dizer que o Brasil tem um esporte e meio, futebol e vôlei, e para alguns moradores do Rio de Janeiro nem mesmo uma medalha de ouro totalmente inesperada no atletismo durante a Olimpíada irá mudar essa percepção.

Era perto da meia-noite de segunda-feira quando Thiago Braz saltou 6,03 metros no salto com vara, um recorde olímpico, superando o recordista mundial, o francês Renaud Lavillenie, e se tornando o primeiro brasileiro a conquistar um ouro no atletismo em 32 anos.

Mas a batalha cativante entre o franco favorito e o corajoso postulante local no Estádio Olímpico não chegou ao conhecimento de certos cariocas, mais preocupados com a partida da primeira fase do vôlei masculino entre Brasil e França.

"Quem?", indagou João Bina, desenhista industrial de 43 anos que assistia ao jogo de vôlei em uma televisão de um bar do Rio quando foi indagado sobre Thiago Braz.

O futebol continua reinando absoluto no país, apesar da derrota humilhante de 7 x 1 dos pentacampeões mundiais para a Alemanha em casa na Copa do Mundo de 2014 e dos fracassos repetidos na tentativa de conquista do ouro olímpico masculino.

O vôlei, que rendeu nove medalhas e ouro para as mulheres nos dois últimos Jogos, é o único outro esporte olímpico que ganha cobertura de primeira na TV brasileira. Por isso Thiago, como muitos integrantes da equipe atlética do Brasil, chegou à primeira Olimpíada realizada na América do Sul despercebido.

"Ninguém sabia quem ele era", disse Nalbert Bitencourt, comentarista do canal SportTV e capitão da seleção masculina de vôlei que conquistou o ouro nos Jogos de Atenas de 2004.

"Quando vi que ele estava na disputa pela medalha tive que perguntar 'ei, como ele se chama?'. Ele surpreendeu a nação inteira".

Carl Lewis, lenda do atletismo norte-americano, espera que o ouro surpreendente, só o segundo do Brasil na Rio 2016, possa despertar interesse pelo esporte no país.

"Andei conversando com as pessoas, com torcedores que moram aqui, e sobre como é difícil para os atletas", contou Lewis, dono de nove medalhas olímpicas de ouro em corridas de curta distância e salto em distância, ao SportTV.

"Acho que este é o começo, é o início do que pode ser um evento histórico para o esporte brasileiro."

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