17 de Agosto de 2016 / às 23:57 / um ano atrás

Principal autoridade olímpica europeia é presa no Rio em investigação sobre ingressos

Hickey ao lado do presidente do COI Bach em Frankfurt. 20/5/2016. REUTERS/Kai Pfaffenbach

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia brasileira prendeu a principal autoridade olímpica europeia numa ação no início da manhã desta quarta-feira em um hotel do Rio de Janeiro, em conexão com uma investigação sobre cambismo com ingressos dos Jogos de 2016.

A polícia disse que havia descoberto evidências ligando o irlandês de 71 anos Patrick Hickey a um esquema internacional para passar ilegalmente ingressos olímpicos para cambistas que estavam os revendendo por um preço bem acima do original.

As autoridades afirmaram que, além de Hickey, eles tinham mandados de prisão e estavam recomendando o indiciamento de três executivos da PRO10 Sports Management, que tem base em Dublin.

Eles alegam que a PRO10 passou ingressos para uma outra empresa, a THG Sports, cujo diretor foi preso nesta semana no Brasil. A PRO10 e a THG negaram qualquer irregularidade.

“Eles tinham como objetivo margem de lucro alta e dificultar a investigação policial, porque eles criaram toda uma falsa percepção da realidade de que estavam vendendo um programa de hospitalidade, quando na verdade o único intuito era a prática de cambismo, vender acima do preço”, disse em entrevista coletiva o delegado Ricardo Barboza, do núcleo da Polícia Civil de apoio a grandes eventos.

Segundo o delegado, ingressos para a cerimônia de abertura da Olimpíada que custavam 1.400 reais chegaram a ser vendidos por até 8 mil dólares, como parte de um esquema que pode ter movimentado até 10 milhões de reais.

Hickey foi detido no hotel Windsor Marapendi, perto do Parque Olímpico, e foi levado a um hospital próximo após a prisão. A polícia disse que a medida foi uma precaução, pois, segundo ela, Hickey tinha um histórico de problemas no coração.

Hickey permanecerá no hospital por pelo menos 24 horas, disse o Comitê Olímpico Irlanda (OCI).

Um vídeo online, creditado à ESPN, mostrou Hickey sendo preso e levado num roupão branco.

Mais tarde, ele temporariamente deixou a sua posição de membro do comitê executivo do Comitê Olímpico Internacional, de presidente do Comitê Olímpico Europeu e de vice-presidente da Associação de Comitês Olímpicos Nacionais.

O Comitê Olímpico da Irlanda disse que Hickey, o seu presidente, estava deixando todas as suas funções olímpicas até que o assunto seja completamente resolvido.

”Vamos esperar e ver quais são as alegações relacionadas a Hickey”, disse Mark Adams, porta-voz do COI. “Temos total confiança no sistema. Todos são inocentes até que se prove a culpa.”

Adams declarou que as acusações dizem respeito a 1.000 ingressos de um total de 6,5 milhões que foram disponibilizados para os Jogos do Rio.

De acordo com a polícia, os envolvidos foram indiciados pela polícia civil pelos crimes de formação de quadrilha, facilitação de cambismo e marketing de emboscada, um crime que está em vigor especialmente durante a Olimpíada e a Paraolimpíada.

A polícia disse que somente Hickey estava no Brasil, enquanto os outros três não vieram para o país para os Jogos e eram considerados “fugitivos”.

A PRO10, que diz no seu site ser a revendedora autorizada de ingressos na Irlanda, informou em comunicado que sempre agiu de forma apropriada e que havia cooperado totalmente com as autoridades brasileiras.

A THG rejeitou as acusações contra a empresa. 

Reportagem adicional de Pedro Fonseca, Daniel Flynn, Caio Saad, Karolos Grohmann e Conor Humphries

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