Principal autoridade olímpica europeia é presa no Rio em investigação sobre ingressos

quarta-feira, 17 de agosto de 2016 20:56 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Ossian Shine

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia brasileira prendeu a principal autoridade olímpica europeia numa ação no início da manhã desta quarta-feira em um hotel do Rio de Janeiro, em conexão com uma investigação sobre cambismo com ingressos dos Jogos de 2016.

A polícia disse que havia descoberto evidências ligando o irlandês de 71 anos Patrick Hickey a um esquema internacional para passar ilegalmente ingressos olímpicos para cambistas que estavam os revendendo por um preço bem acima do original.

As autoridades afirmaram que, além de Hickey, eles tinham mandados de prisão e estavam recomendando o indiciamento de três executivos da PRO10 Sports Management, que tem base em Dublin.

Eles alegam que a PRO10 passou ingressos para uma outra empresa, a THG Sports, cujo diretor foi preso nesta semana no Brasil. A PRO10 e a THG negaram qualquer irregularidade.

“Eles tinham como objetivo margem de lucro alta e dificultar a investigação policial, porque eles criaram toda uma falsa percepção da realidade de que estavam vendendo um programa de hospitalidade, quando na verdade o único intuito era a prática de cambismo, vender acima do preço”, disse em entrevista coletiva o delegado Ricardo Barboza, do núcleo da Polícia Civil de apoio a grandes eventos.

Segundo o delegado, ingressos para a cerimônia de abertura da Olimpíada que custavam 1.400 reais chegaram a ser vendidos por até 8 mil dólares, como parte de um esquema que pode ter movimentado até 10 milhões de reais.

Hickey foi detido no hotel Windsor Marapendi, perto do Parque Olímpico, e foi levado a um hospital próximo após a prisão. A polícia disse que a medida foi uma precaução, pois, segundo ela, Hickey tinha um histórico de problemas no coração.

Hickey permanecerá no hospital por pelo menos 24 horas, disse o Comitê Olímpico Irlanda (OCI).   Continuação...

 
Hickey ao lado do presidente do COI Bach em Frankfurt.  20/5/2016.  REUTERS/Kai Pfaffenbach