18 de Agosto de 2016 / às 11:57 / um ano atrás

Corredoras negras dos EUA vencem obstáculos simbólicos e reais nos 100m com barreiras da Rio 2016

Atletas norte-americanas Kristi Castlin, medalha de bronze; Brianna Rollins, medalha de ouro, e Nia Ali, medalha de prata, comemoram resultado dos 100 metros com barreira na Rio 2016 17/08/2016Dylan Martinez

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Como muitas mulheres negras nos Estados Unidos, Brianna Rollins, Nia Ali e Kristi Castlin enfrentaram alguns obstáculos metafóricos em suas vidas.

Na quarta-feira, porém, eles superaram com sucesso 10 obstáculos bastante físicos --cerca de 82,5 centímetros de policarbonato e metal-- e deram aos Estados Unidos as medalhas de ouro, prata e bronze nos 100 metros com barreiras da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016.

Foi a primeira vez que mulheres de uma mesma nação ocuparam todo o pódio da competição nos Jogos, o que ilustrou o envolvimento dos EUA com uma prova na qual passar nas seletivas nacionais é uma conquista por si só.

Como a detentora do recorde mundial, Kendra Harrison, e a campeã olímpica de 2008, Dawn Harper, não conseguiram passar pela seletiva norte-americana, o trio que conseguiu embarcar para o Rio decidiu trabalhar em conjunto.

A medalhista de ouro Brianna descreveu o trabalho em equipe como uma "irmandade", e Kristi deu um toque bem 2016 usando uma frase vista com mais frequência nas redes sociais com uma hashtag à sua frente.

"Acho que é simplesmente muito bom ser parte de todo este movimento de mágica da garota negra", disse. "Na verdade entramos nisso não como indivíduos, mas como uma equipe. Trabalhamos juntas, rezamos juntas, e foi assim que demos conta do recado".

"Dá uma sensação boa a certeza de que fizemos história, que ditamos moda, que somos mães, filhas, simplesmente nos superando e fazendo um ótimo trabalho e representando bem nosso país."

Kristi dedicou sua medalha de bronze às vítimas de crimes com arma de fogo, uma causa que lhe é muito cara desde que seu pai foi assassinado durante uma tentativa frustrada de assalto a um hotel em que trabalhava como gerente.

"(Depois de) perder meu pai aos 12 anos de idade para a violência das armas, superei muita coisa", disse a atleta de 28 anos. "Quero me conectar mais aos jovens que foram vítimas da violência da armas."

"Sinto que, quando era nova, certamente fui muito bem orientada, mas às vezes não tinha alguém da minha idade com quem realmente pudesse conversar."

Suas colegas medalhistas também tiveram que lidar com grandes desafios no começo de suas vidas. Nia quando seu pai se matou durante um caso de assassinato seguido de suicídio e Brianna quando seu pai foi para a prisão.

O desafio mais recente de Nia, porém, foi um que atletas mulheres de todo o mundo enfrentam: voltar a competir no primeiro nível depois de ter tido um filho.

Titus, de quinze meses, agora tem dois pais ganhadores de medalha de prata em uma Olimpíada, já que seu pai, Michael Tinsley, terminou em segundo lugar nos 400 metros com barreiras dos Jogos de Londres 2012.

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