18 de Agosto de 2016 / às 20:57 / um ano atrás

Polícia do Rio diz que nadadores não foram roubados e podem ser indiciados

Nadadores olímpicos norte-americanos Jack Conger e Gunnar Bentz deixam delegacia após interrogatório no Rio de Janeiro 18/08/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os nadadores norte-americanos que alegaram ter sido assaltados durante os Jogos Olímpicos no Rio não foram roubados, como relataram inicialmente às autoridades, e podem ser indiciados após terem cometido atos de vandalismo dentro de um posto de gasolina, disse nesta quinta-feira o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso.

Veloso afirmou, em entrevista coletiva, que a conclusão preliminar da investigação indica que os nadadores provocaram atos de vandalismo em um posto de gasolina, após saírem de uma festa de madrugada no Rio, e se envolveram em uma confusão com seguranças do estabelecimento.

“Eles não foram vítimas dos assaltos criminosos que descreveram ter sido, a polícia já pode afirmar isso”, disse Veloso, que confirmou que uma arma foi apontada por um segurança contra os nadadores.

Segundo o delegado e chefe da polícia civil, a versão apresentada pelos atletas visava proteger o nadador Ryan Lochte, que estaria sendo aguardado pela namorada, mas perdeu a hora numa comemoração com os amigos. O delegado destacou, sem citar nomes, que duas mulheres que se envolveram com os atletas já foram identificadas pela polícia e colaboraram com as investigações, assim como o taxista que levou os nadadores para a Vila dos Atletas (na manhã de domingo) e os segurança dos posto de gasolina.

Os seguranças seriam agentes penitenciários que agiram, em princípio, dentro da legalidade, pois tinham porte de arma e não cometeram excessos, segundo Veloso

De acordo com o chefe da Polícia Civil, em tese a conduta dos atletas dos EUA pode configurar crime de falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio, mas ele não poderia confirmar indiciamento.

“Nós ainda não temos a conclusão, portanto não vou responder a perguntas sobre quais crimes eles vão responder, porque as medidas necessárias para esse esclarecimento ainda não foram concluídas”, afirmou.

O chefe da Polícia Civil explicou que um ou mais atletas promoveram vandalismo no banheiro do posto de gasolina, quebrando alguns acessórios, como espelho e saboneteira. Quando funcionários do posto perceberam o que estava acontecendo, os seguranças interpelaram o taxista para que ele não saísse do local e aguardasse a chegada da viatura policial.

“Em tese, se de fato se confirmar a conduta que praticaram, na legislação pode configurar, dependendo das investigações, em situações normais, eles podem responder por falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio”, disse o delegado.

Ainda de acordo com Veloso, os atletas ofereceram resistência e “nesse meio tempo uma terceira pessoa se ofereceu como intérprete”.

Imagens de uma câmera de segurança do posto de gasolina mostram os competidores, incluindo os campeões olímpicos Ryan Lochte e Jimmy Feigen, sendo impedidos por seguranças de deixar o local.

“Uma testemunha... explicou aos atletas que eles tinham promovido aqueles atos de vandalismo e geraram danos ao estabelecimento e precisavam pagar por isso”, disse Veloso.

Após o incidente, os nadadores aceitaram, ressarcir o posto pelos danos causados e teriam desembolsado, de acordo com a polícia, cerca de 160 reais, sendo 20 dólares e 100 reais.

Os outros dois nadadores, Gunnar Bentz e Jack Conger, foram retirados pela polícia de dentro de um voo para os Estados Unidos na noite de quarta-feira no aeroporto internacional do Rio e encaminhados a uma delegacia para prestar esclarecimentos. [nL1N1AZ0DO]

Ao deixarem a delegacia onde prestaram depoimento, os nadadores foram vaiados e xingados por populares que se aglomeravam na rua. Entre os gritos, pode se ouvir palavras como mentirosos e farsantes.

Veloso disse que os nadadores devem um pedido de desculpas aos moradores do Rio e aos brasileiros pelo episódio.  

“Acho que são pessoas importantes, públicas, que influenciam outras pessoas e devem tentar ter um comportamento no mínimo adequado. São pessoas que cometeram erros. As desculpas não são para a policia, mas para o carioca que viu a sua imagem manchada por uma versão fantasiosa. Seria digno pedir desculpas aos cariocas”, finalizou ele.

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