Moradores do Rio tentam ganhar dinheiro extra em Jogos que eles não veem

quinta-feira, 18 de agosto de 2016 19:09 BRT
 

Por Angus MacSwan

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Dentro do Estádio Olímpico no Rio de Janeiro, atletas de todo o mundo estão buscando a glória e fazer história. Nas ruas descuidadas ao redor do estádio iluminado, moradores esperam fazer um dinheirinho extra.

Alguns vendem bebidas e salgados nas suas casas. Uma oficina de carros na esquina da praça do estádio tem latas de cerveja à venda numa caixa térmica sobre uma mesa montada em frente a uma pilha de pneus.

"Eu estou desempregado. Então isso é uma oportunidade, uma oportunidade muito boa”, disse um homem chamado Wagner.

Wagner estava sentado numa cadeira do lado de fora da sua casa na Rua Bento Gonçalves assistindo o boxe numa televisão colocada sobre uma caixa de cerveja durante um intervalo na programação do atletismo.

Uma placa na porta dizia: “Banheiro: 2 reais, cerveja: 6 reais”.

Wagner, 32 anos, disse que muitas pessoas, brasileiros e estrangeiros, paravam para comprar cerveja ou usar as instalações, e ele iria mais tarde ao depósito para recarregar. Ele também tinha várias bandeiras nacionais à venda.

A área do Engenho de Dentro é na sua maior parte ocupada pelas classes mais baixas. Casas espremidas, muitas precisando de uma mão de tinta, ficam de cara para a calçada. Graffitis e desenhos da vida no Rio decoram muros.

O grande músico brasileiro Jorge Bem Jor imortalizou o Engenho de Dentro numa música que diz: “Olha aí, meu bem. Prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém”.   Continuação...