Delatora russa Stepanova foi tratada muito mal, diz integrante do COI

quinta-feira, 18 de agosto de 2016 19:23 BRT
 

Por Jonathan Crane

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A atleta russa Yulia Stepanova e o marido, que deixaram a Rússia depois de revelarem o escândalo do doping apoiado pelo Estado, foram tratados mal por todas as organizações esportivas, disse Dick Pound, integrante do Comitê Olímpico Internacional.

Pound, antigo chefe da Agência Mundial Antidoping (Wada), que ajudou a elaborar o primeiro de vários relatórios sobre o doping russo no ano passado, disse que o tratamento destinado a Yulia Stepanova e sua exclusão dos Jogos Olímpicos estavam assustando outras pessoas que poderiam estar prontas para falar.

"Eu acho que coletivamente nós temos tratado Stepanova muito mal, e eu acho que isso poderia desanimar qualquer outro informante, que vai dizer: ‘Olha o que aconteceu com eles. Por que eu vou me expor a todo esse perigo?’”, disse Pound em entrevista à Reuters.

“Então nós precisamos ter um sistema melhor para delações para que a informação seja fornecida de forma anônima sem que possa ser ligada a um informante em particular”, declarou Pound.

Yulia Stepanova, morando agora em local não revelado nos Estados Unidos, foi uma informante chave do escândalo que levou à suspensão da equipe de atletismo russo das Olimpíadas do Rio.

A corredora, que já se dopou, havia sido elogiada pela federação mundial de atletismo e liberada para competir como neutra no Rio. O COI, no entanto, se recusou a aceitá-la, citando o seu passado de doping.