19 de Agosto de 2016 / às 10:27 / um ano atrás

Noite sem dormir, pressão, chuva e ventania: o difícil caminho dourado de Alison e Bruno

Alison e Bruno Schmidt celebrando conquista da medalha de ouro na Rio 2016. 18/08/2016 Jack Gruber-USA TODAY Sports

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Alison e Bruno Schmidt percorreram um caminho repleto de dificuldades até chegar ao ouro olímpico nos Jogos do Rio, de lesões antes da Olimpíada à intensa pressão pela conquista em casa, com direito a algumas noites sem dormir.

Ex-parceiros no início da carreira, o “Mamute” Alison, de 2,03 metros, e o “Mágico” Bruno retomaram a parceira em 2014 com o objetivo de conquistar uma medalha no Rio, objetivo que alcançaram da melhor forma possível com uma vitória sobre os italianos Nicolai e Lupo, na madrugada desta sexta-feira.

O caminho até o degrau mais alto do pódio, no entanto, foi complicado desde o início.

Pouco após retomarem a parceira, Alison precisou passar por uma cirurgia no joelho e, durante a recuperação, sofreu apendicite, o que o deixou por quase seis meses fora das quadras.

Durante a Olimpíada do Rio não foi diferente em termos de dificuldades.

Ainda na fase de grupos Alison sofreu uma torção no tornozelo durante uma partida --felizmente de grau leve-- e os brasileiro ainda tiveram de enfrentar logo nas quartas de final a forte dupla dos EUA formada por Dalhausser e Lucena, num jogado marcado por uma forte ventania na Arena de Copacabana que deixou o resultado imprevisível.

“Se fizer uma retrospectiva dos nossos jogos teve pé torcido, vento, chuva, jogo meia-noite, quatro da tarde, onze da manhã. Teve de tudo, mas um atleta tem que passar por isso para ser campeão”, disse um aliviado Alison após a vitória, que representou uma volta por cima pessoal para ele após a derrota na final de Londres 2012 ao lado do ex-parceiro Emanuel.

Bruno Schmidt, sobrinho do ex-jogador de basquete da seleção brasileira Oscar, disse que a pressão sofrida diante da responsabilidade de conquistar uma medalha em casa foi muito mais difícil de suportar do que ele imaginava.

O jogador de 29 anos, que compensa a estatura baixa para a modalidade (1,85) com um talento impressionante tanto no ataque como na defesa, disse estar exausto após todo o desgaste físico e emocional da Olimpíada.

“Tentei me manter focado nesse torneio, nessas duas semanas, mas foi a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida. Eu batalhei tanto para estar aqui mas não sabia que seria tão difícil”, disse a repórteres, após receber a visita do tio Oscar ainda nas areias de Copacabana.

“Tive que lidar com tanta ansiedade, eu não dormi. De ontem para hoje acho que dormi duas horas só. A pressão também, todo mundo dizendo ‘traz a medalha’, ‘é ouro, é ouro’, querendo ajudar, mas de certa forma é muita pressão e você acaba se cobrando mais. Mas também veio com o melhor gostinho”, acrescentou.

Atuais campeões do mundo, Alison e Bruno agora se tornam a segunda dupla do país campeã olímpica de vôlei de praia masculino, encerrando um jejum que durava desde o ouro de Ricardo e Emanuel em Atenas 2004.

Com o ouro no masculino e a prata de Ágatha e Bárbara entre as mulheres, o Brasil ampliou nos Jogos do Rio sua liderança no total de medalhas olímpicas no vôlei de praia, agora com 13, contra 10 dos Estados Unidos.

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