Canadense De Grasse se prepara para ocupar lugar de Bolt no futuro

sexta-feira, 19 de agosto de 2016 11:56 BRT
 

Por Mitch Phillips

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto as pessoas envolvidas com atletismo temem o dia em que Usain Bolt irá deixar o esporte, o canadense Andre de Grasse deve estar lambendo os beiços com a perspectiva de emergir como o homem que tem mais chance de ocupar seu lugar.

De Grasse ficou na cola de Bolt e conquistou a prata na final dos 200 metros na quinta-feira na Olimpíada do Rio de Janeiro, tendo levado o bronze nos 100 metros no final de semana.

Como Justin Gatlin, de 34 anos, que superou o canadense nos 100 metros, está prestes a se aposentar e Bolt, que faz 30 anos no domingo, provavelmente irá pendurar as sapatilhas depois do campeonato mundial do ano que vem, De Grasse, de 21 anos, pode ser o rosto da próxima geração.

Na semifinal, De Grasse mostrou que tem o temperamento ideal para os holofotes quando ele e Bolt se lançaram juntos rumo à linha de chegada e o atleta mais jovem se recusou a desacelerar, apesar dos apelos do jamaicano, o que fez ambos rirem.

Bolt minimizou a brincadeira, que classificou como o gesto nada simpático de um "jovem que ainda tem o que aprender", mas De Grasse não se abalou e disse que só quis fazer o maior corredor de curta distância da história se esforçar um pouco mais.

Na final de quinta-feira, De Grasse fez uma corrida incrivelmente bem calculada e chegou na segunda colocação com 20s02, atrás dos 19s78 de Bolt mas bem à frente dos 20s12 do francês Christophe Lemaitre.

Tendo tido um gostinho do bronze nos 100 metros no campeonato mundial do ano passado – a primeira medalha global de corrida de curta distância do Canadá desde 1999 – e vencido as duas provas de curta distância nos Jogos Pan-Americanos, está claro que De Grasse é um atleta de primeiro escalão.

Seus tempos também o confirmam. Suas melhores marcas pessoais na Rio 2016 foram 9s91, a segunda melhor de um canadense depois dos 9s84 que renderam um ouro a Donovan Bailey em 1996, e 19s80, um recorde para seu país.

Indagado se sentirá falta de Bolt ou se ficará triste de vê-lo se aposentar, De Grasse respondeu: "Um pouco dos dois".

"Definitivamente eu adoro competir com ele, é uma honra ser parte da história, do que ele conquistou em sua carreira... mas no geral, se a hora dele chegou, acho que uma nova pessoa precisa entrar no lugar".

 
Bolt e Andre De Grasse após 200m na Rio 2016.  18/08/2016.  REUTERS/Lucy Nicholson