Farsa de nadadores dos EUA sobre assalto no Rio ofusca glória olímpica de atletas

sexta-feira, 19 de agosto de 2016 15:54 BRT
 

Por Cassandra Garrison

A BORDO DO VOO AA990 (Reuters) - De pé em um pódio da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016 na semana passada com medalhas de ouro nos pescoços, os nadadores norte-americanos Jack Conger e Gunnar Bentz eram o orgulho dos Estados Unidos enquanto cantavam o hino nacional.

Nesta sexta-feira, os dois chegaram à terra natal a bordo do voo AA990 para Miami com uma cortina a seu redor dizendo "Não perturbe", uma tentativa da tripulação de blindá-los da polêmica que constrangeu a delegação dos EUA e afetou a Rio 2016.

"Não posso, desculpe, não posso", disse Conger, de 21 anos, a um repórter da Reuters no voo quando indagado sobre a sensação de voltar para casa depois de a polícia do Rio tê-los acusado de mentir sobre um assalto à mão armada.

Horas antes, ele e Bentz, de 20 anos, foram vaiados e ridicularizados por brasileiros enquanto saíam de uma delegacia do Rio depois de revisar suas declarações às autoridades. Na quarta-feira à noite eles foram retirados de um avião enquanto tentavam deixar o país.

Novamente de posse de seus passaportes, eles estiveram entre os últimos a embarcarem no voo AA990 de quinta-feira à noite, ambos usando agasalho com capuz, na classe econômica.

Os nadadores passaram parte das nove horas de viagem vendo os jornais, repletos de manchetes sobre suas peripécias no Rio. Os comissários de bordo se empenharam em manter os repórteres à distância, formando uma barreira quando a Reuters tentou abordá-los.

De manhã os dois atletas tinham sido transferidos discretamente para a classe executiva e escondidos atrás de uma cortina. Quando pousaram em Miami, agentes alfandegários os protegeram de um repórter enquanto os dois seguiam para pegar um voo de conexão.

Só 10 dias antes, Conger, campeão da Universidade do Texas, e Bentz estavam sob os holofotes após uma estreia olímpica impressionante – conquistaram o ouro no revezamento 4x200 metros ao lado dos veteranos Ryan Lochte e Michael Phelps.

Bentz se vangloriou no Twitter dizendo que ele e seus colegas "Bulldogs", da Universidade da Geórgia, conseguiram mais medalhas na Rio 2016 do que muitas nações.

Quando decolaram na noite de quinta-feira, o Comitê Olímpico dos EUA havia emitido um comunicado pedindo desculpas ao Brasil pelo comportamento dos nadadores. Tanto o Comitê quanto a equipe de natação norte-americana disseram que estão cogitando adotar ações contra os atletas amadores universitários.

 
Nadadores norte-americanos Jack Conger e Gunnar Bentz chegam a Miami em voo que os trouxe do Brasil
19/08/2016 REUTERS/Cassandra Garrison via Reuters TV