20 de Agosto de 2016 / às 19:42 / um ano atrás

Dirigente do COI Hickey divide cela com executivo da THG em presídio de Bangu

Patrick Hickey, em foto de arquivo.Geoff Burke-USA TODAY Sports

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) Patrick Hickey trocou o luxo de um hotel de frente para o mar no Rio de Janeiro por uma cela dividida no presídio de Bangu, onde teve o cabelo cortado e recebe a mesma alimentação dos outros presos, informou neste sábado a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio.

Hickey, de 71 anos, foi preso durante uma operação policial na quarta-feira de manhã em um hotel da Barra da Tijuca por suspeita de envolvimento em um esquema de venda ilegal de ingressos para os Jogos Rio 2016.

Ele agora está dividindo uma cela com Kevin Mallon, um diretor da empresa internacional de hospitalidade esportiva THG que foi alvo da operação. O complexo penitenciário de Bangu, que possui diversas unidades prisionais na afastada zona oeste da cidade, é conhecido pela violência e por rebeliões.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Hickey teve os cabelos cortados na unidade prisional de acordo com o padrão estabelecido.

"A Seap informa ainda que todos os internos do sistema penitenciário fluminense são tratados de forma igualitária, com direito a banho de sol, refeições e visitas após o cadastramento", disse a secretaria em comunicado.

Hickey, que depois da prisão se afastou temporariamente de seus cargos como membro executivo do COI, presidente do Comitê Olímpico Europeu e diretor do Comitê Olímpico da Irlanda, teve negado por um juiz o pedido de liberdade sob fiança.

Mas o dirigente recebeu um voto de confiança do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, neste sábado.

“O que sabemos é que ele não foi ouvido ainda por um juiz e, mais que isso, a presunção da inocência prevalece”, disse Bach durante uma entrevista coletiva neste último fim de semana da Rio 2016. “Respeitamos as leis e o processo legal aqui no Brasil e não podemos comentar mais que isso”, afirmou ele.

Bach disse que não seria montada nenhuma comissão disciplinar para investigar Hickey, pelo fato do executivo de 71 anos já ter se licenciado de suas funções no COI.

A comissão executiva do COI “está na verdade em contato com as autoridades no Brasil. Neste momento, não há razão para tomar qualquer medida, dado que o sr. Hickey se licenciou de qualquer atividade (no COI)", disse o alemão, que presidente o COI desde 2013.

“O COI tomou conhecimento dessa autossuspensão e vai acompanhar o caso de acordo com seu desenvolvimento”, acrescentou. 

Hickey era membro do poderoso comitê executivo do COI e um membro de longa data da entidade, mas Bach forneceu pouca informação sobre um apoio específico ao antigo colega, que sentou imediatamente ao lado de Bach durante a cerimônia de abertura da Olimpíada, em 5 de agosto.

Questionado se o COI não ofereceria apoio a Hickey neste momento, Bach respondeu somente que ele deveria ser presumido inocente.

Hickey foi preso na quarta-feira de manhã no hotel em que estava hospedado. Ele deu entrada no Hospital Samaritano por causa de dores no peito após a detenção, mas recebeu alta no dia seguinte, permanecendo sob custódia.

Ele ainda é listado como membro do COI no site da entidade, mas com dois asteriscos ao lado de seu nome, para designar o afastamento.

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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