PF faz buscas em confederações de tiro e taekwondo em investigação sobre desvio de recursos

quarta-feira, 24 de agosto de 2016 13:54 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Duas confederações de modalidades esportivas que conquistaram medalhas para o Brasil nos Jogos do Rio, tiro esportivo e taekwondo, foram alvo nesta quarta-feira de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeita de fraudes em licitações e desvio de recursos do Ministério do Esporte, informou a PF.

A operação da polícia, em parceria com o Ministério Público Federal e Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, visa cumprir 16 mandados judiciais em endereços ligados aos suspeitos nas cidades do Rio de Janeiro, Manaus, Belo Horizonte e Caxias do Sul, inclusive nas sedes das duas confederações.

Entre os mandados há um de prisão preventiva e quatro de condução coercitiva no Rio de Janeiro, além de uma notificação judicial de afastamento do presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Fernandes. A PF não informou o nome da pessoa alvo do mandado de prisão, mas disse ser um empresário envolvido no esquema.

As investigações da PF, iniciadas há cerca de um ano, indicam que uma quadrilha vinha fraudando licitações com o uso de documentos falsos, a fim de realizar contratações e aquisições por preços muito acima do mercado.

“O esquema criminoso funcionava basicamente em duas fases. A primeira é que a empresa alvo da ação obtinha contratos para prestar assessoria administrativa. Há indícios no processo licitatório de uso de documentos falsos para propiciar que ela ganhasse o certame e, inclusive, praticava, possivelmente, preço acima do mercado”, disse a jornalistas do delegado da PF Tássio Muzzi.

“A segunda fase seria na própria execução de convênios. Há indícios pelo menos em relação a duas confederações de uso de notas fiscais frias para desviar recursos provenientes do Ministério do Esporte”, acrescentou.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, uma das empresas investigadas teria vencido de forma irregular ao menos 14 licitações para prestação de assessoria administrativa dos convênios entre o Ministério do Esporte e as confederações suspeitas.

Os convênios firmados pelo Ministério do Esporte e as duas confederações investigadas somaram 26 milhões de reais, de acordo com a PF, e a empresa suspeita recebeu das confederações outros 3 milhões de reais por supostos serviços prestados. De acordo com o delegado, o montante que pode ter sido desviado ainda está sendo apurado.

“Não podemos dizer que tudo foi irregular... o que podemos dizer é que o Ministério do Esporte tem colaborado com as investigações e não há em princípio investigação contra o Ministério do Esporte”, afirmou Muzzi.

Nos Jogos do Rio o Brasil conquistou uma medalha de prata no tiro esportivo com Felipe Wu, na prova de pistola de ar de 10 metros, e também subiu ao pódio no taekwondo com Maicon Siqueira na categoria acima de 80 kg.