Defesa espera que ex-dirigente do COI detido em Bangu deixe a prisão nesta semana

segunda-feira, 29 de agosto de 2016 12:19 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os advogados do ex-presidente do Comitê Olímpico Irlandês Patrick Hickey esperam conseguir ainda nesta semana um habeas corpus da Justiça pela soltura do cliente, que eles garantem ser inocente e não ter qualquer ligação com a máfia de cambismo descoberta pela polícia durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

O advogado Helton Márcio Pinto, sócio do escritório que assumiu a defesa de Hickey, disse à Reuters nesta segunda-feira que um pedido de habeas corpus foi apresentado à Justiça do Rio no fim da semana passada, e que uma decisão é esperada para os próximos dias.

"Normalmente, uma decisão como essa leva um semana para ser tomada pelo desembargador responsável", disse à Reuters por telefone o advogado. "Apesar das acusações, não há elementos que comprovem a participação de Hickey no tal esquema... Não tem nenhuma prova contra ele".

Segundo o advogado, a idade avançada de Hickey, de 71 anos, e o histórico de problemas de saúde podem pesar a favor de seu cliente, que fazia parte da cúpula do Comitê Olímpico Internacional (COI) ao ser preso pela polícia em um hotel de luxo do Rio durante a Olimpíada.

"Isso sempre pesa numa decisão. Ele é idoso com problemas de saúde e isso sempre dificulta alguém nessas condições ficar em cárcere", disse. "Mas, o mais importante, é a falta de provas e elementos".

Os advogados ainda não sabem se Hickey poderá voltar à Irlanda ou se terá que permanecer no Brasil caso o habeas corpus seja deferido. Em caso de o pedido ser negado, os advogados vão buscar o relaxamento da prisão em outras instâncias da Justiça brasileira.

No sábado à noite, o também irlandês Kevin Mallon, diretor da empresa investigada pela polícia THG, deixou o sistema penitenciário do Rio após ser beneficiado por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O Comitê Olímpico da Irlanda e as empresas Pro10 e THG foram acusados pela polícia fluminense de montarem um esquema de venda ilegal de ingressos nos Jogos do Rio para faturar cerca de 10 milhões de reais.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

 
Patrick Hickey (E), membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), é fotografado ao lado do presidente do COI, Thomas Bach (D), em cerimônia na Alemanha
20/05/2016 REUTERS/Kai Pfaffenbach/Files