Polícia do Rio vai indiciar irlandeses por esquema de venda ilegal de ingressos nos Jogos

segunda-feira, 5 de setembro de 2016 18:24 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro concluirá na quinta-feira o inquérito sobre um esquema de venda ilegal de ingressos nos Jogos de 2016 e vai indiciar o ex-presidente do Comitê Olímpico Irlandês Patrick Hickey e o diretor da empresa THG Kevin Mallon, informou nesta segunda-feira o delegado Ricardo Barbosa.

Os dois irlandeses serão indiciados pelos crimes de cambismo, marketing de emboscada e associação criminosa, que juntos podem dar uma condenação de até 8 anos de reclusão.

“Temos novas provas que mostram o envolvimento deles no esquema. Temos vasta prova documental e na quinta-feira a investigação estará concluída", disse Barbosa a jornalistas.

"Os atos ilegais eram cometidos pelo presidente do comitê irlandês, que tinha todo controle sobre o esquema e poder de decisão”, acrescentou.

Além de Hickey e Mallon, há sete investigados que são considerados foragidos. Eles integram os quadros da empresa THG e da Pro10, que fariam parte do esquema ilegal, de acordo com as investigações.

Nesta segunda-feira, Mallon esteve na polícia para prestar depoimento, mas permaneceu em silêncio. Na terça, será a vez de Hickey ser interrogado. “Eles têm o direito constitucional de se manter em silêncio e mesmo não falando as provas são contundentes“, afirmou o delegado.

Hickey era presidente do Comitê Olímpico da Irlanda e fazia parte da cúpula do Comitê Olímpico Internacional (COI) ao ser preso pela polícia em um hotel de luxo do Rio no dia 17 de agosto. Na última segunda-feira, a Justiça revogou sua prisão preventiva.

Mallon também foi preso durante a Olimpíada e deixou o sistema penitenciário do Rio dias antes de Hickey.

O Comitê Olímpico da Irlanda e as empresas Pro10 e THG foram acusados pela polícia fluminense de montarem um esquema de venda ilegal de ingressos nos Jogos do Rio para faturar cerca de 10 milhões de reais.   Continuação...

 
Hickey chega em edifício após deixar prisão no Rio.  30/8/2016. REUTERS/Ricardo Moraes