6 de Setembro de 2016 / às 22:37 / um ano atrás

Jogos Paralímpicos do Rio miram venda de 2 mi de ingressos, mas ainda há risco de déficit

Atleta Yip Pin Xiu, de Cingapura, diante da Vila Paralímpica do Rio. 06/09/2016.Jason O'Brien

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo federal e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estimam que serão vendidos mais de 2 milhões de ingressos para os Jogos Paralímpicos do Rio, que vão começar na quarta-feira, mas uma fonte próxima à organização considera a perspectiva muito otimista, apesar do boom de vendas nos últimos dias.

Segundo a fonte, essa maior procura também não deverá ser suficiente para reverter o provável déficit do Comitê Rio 2016.

“As vendas realmente aqueceram, houve um crescimento, isso é inegável”, disse a fonte à Reuters, sob condição de anonimato, nesta terça-feira.

“Mas não podemos esquecer que apesar de ser um baita evento, o apelo é muito menor. Tem a crise afetando a renda das pessoas e ainda não é um período de férias nas empresas ou nas escolas. Isso não pode ser desconsiderado.”

Dados atualizados apresentados nesta terça pelas autoridades mostram que foram vendidos cerca de 1,6 milhão de bilhetes, e a meta é superar a marca de 2 milhões de ingressos, de um total de aproximadamente 2,5 milhões.

As vendas para os Jogos Paralímpicos começaram há aproximadamente um ano, mas até o fim da Olimpíada a procura era considerada muito baixa. O Comitê Rio 2016 chegou a anunciar, em meados do mês passado, que tinham sido vendidos apenas 10 por cento da carga de ingressos.

Foi necessária uma forte campanha na mídia e apoio dos governos para alavancar as vendas da Paralimpída.

“Nossa projeção que foi redefinida é de 2 milhões de ingressos e acredito firmemente que vamos bater e ultrapassar essa marca“, disse a jornalistas o presidnete do CPB, Andrew Parsons.

O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, acrescentou que o o Brasil tem "um traço cultural de deixar para comprar em cima da hora".

Para a Olimpíada, a última estimativa é que foram vendidos cerca de 6,5 milhões de ingressos, de uma oferta total que superava 7 milhões de ingressos.

Na reta final da preparação para os Jogos Paralímpicos, os governos também tiveram que se mobilizar para garantir recursos para o evento. Faltavam cerca de 400 milhões de reais que tiveram que ser rateados entre Comitê Rio 2016, Prefeitura do Rio e governo federal através de empresas públicas. “Tudo foi feito de acordo com a legislação federal e os órgãos de controle”, garantiu Picciani.

A meta da delegação paralímpica do Brasil, a maior da história, com representação em todas as 22 modalidades e investimentos de mais de 300 milhões de reais nesse ciclo paralímpico, é ficar em quinto lugar nos Jogos do Rio. Há quatro anos, a equipe ficou em sétimo, com 43 medalhas no total.

DÉFICT DO COMITÊ

A perspectiva é que o Comitê Rio 2016 encerre os dois eventos com déficit. Antes dos Jogos Olímpicos, era estimado algo entre 400 milhões e 500 milhões de reais, e números atualizados apontam para um prejuízo inferior a 200 milhões de reais, segundo fontes.

“A Paralimpíada dá um prejuízo danado. Sempre foi assim e sempre será. Não arrumamos os patrocínios necessários para cobrir os custos. Se tivesse patrocínio, não teria déficit nenhum”, declarou a fonte.

“Alguns patrocinadores que apoiaram os Jogos não ficaram para a Paralimpíada. O comitê assumiu custos que não estavam previstos, como aluguel da Vila dos Atletas, gastos com energia e serviços e outros”, completou.

Já uma outra fonte, ligada ao governo federal, ponderou que a venda de pacotes de hospitalidade para a Paralimpíada e de ingressos comuns para o grande público poderá minimizar os impactos sobre as contas do Comitê Rio 2016.

“Há vendas nos dois sentidos; para público e há empresas interessadas. Se fechar no vermelho com essas vendas e a ajuda dos governos é muito incompetência”, disse a fonte. “Eles contrataram muita gente a peso de ouro e agora estão pagando por isso. Houve um problema de gestão.”

O Comitê Rio 2016 não respondeu imediatamente às ligações para comentar o assunto.

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