Silêncio, por favor! Público se esforça para torcer sem fazer barulho na Paralimpíada

sexta-feira, 9 de setembro de 2016 15:18 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A torcida brasileira provavelmente nunca foi tão silenciosa durante uma partida em casa da seleção de futebol, mas ainda assim fez barulho demais quando a bola entrou na área adversária aos 29 minutos de jogo.

Com o Brasil perdendo por 1 x 0 para o Marrocos nesta sexta-feira, o volume aumentou em uma arquibancada acostumada a torcer aos gritos quando apareceu a chance de gol, mas o atacante Nonato, sem conseguir ouvir o guizo dentro da bola, errou a finalização.

"Silêncio, por favor", pediu o árbitro aos torcedores. O técnico do Brasil balançou a cabeça negativamente em desespero.

O futebol de 5, em que os jogadores cegos seguem a bola pelo som do chocalho dentro dela, está entre os esportes paralímpicos dos Jogos Rio 2016 em que o barulho da torcida é um problema, e não um incentivo.

Durante a Olimpíada do mês passado, os torcedores brasileiros ficaram marcados por descumprir as regras de etiqueta de esportes como tênis e esgrima, levando um barulhento clima de estádio de futebol para as arenas esportivas. Competidores adversários eram frequentemente vaiados por um exército de torcedores de amarelo.

Mas no futebol de 5 é diferente, como revelam as placas verdes pedindo por silêncio espalhadas pelas arquibancadas. Os jogadores são total ou parcialmente cegos, e usam vendas para garantir que ninguém tenha vantagem.

Com o público dividido entre a tentação de incentivar e o medo de atrapalhar os jogadores, o barulho do "shiiii" pedindo por silêncio às vezes era mais alto do que os gritos que eles tentavam silenciar.

"É muito difícil. Estamos tentando, mas o que queremos mesmo é gritar", disse Sonia Lima, de 54 anos, durante o intervalo do jogo, quando o barulho aumentou em meio a um sentimento de alívio coletivo pelo fim da necessidade de se fazer silêncio, ao menos por alguns minutos.   Continuação...

 
Jogadores da seleção brasileira de futebol de cinco comemoram durante partida contra Marrocos durante a Paralimpíada Rio 2016
09/09/2016 REUTERS/Ricardo Moraes