Maratonista etíope que fez protesto no Rio quer ficar nos EUA

terça-feira, 13 de setembro de 2016 19:30 BRT
 

Por Kouichi Shirayanagi

WASHINGTON (Reuters) - O maratonista etíope que fez um gesto de protesto por causa da violência do governo contra integrantes da sua tribo no mês passado na Olimpíada do Rio disse a jornalistas em Washington nesta terça-feira que ele deseja permanecer nos Estados Unidos.

Feyisa Lilesa cruzou os punhos sobre a cabeça quando terminou em segundo lugar a maratona olímpica, um gesto que ele descreveu como um sinal de apoio a integrantes da sua tribo Oromo que têm protestado contra planos do governo para realocar terrenos de produção agrária. Os manifestantes têm enfrentado ações policiais violentas, levando o país aos seus piores distúrbios em mais de uma década.

"Neste momento, o governo etíope está matando e prendendo o seu próprio povo”, disse Lilesa à imprensa. “Se a situação continuar como está, eu não tenho dúvidas de que a Etiópia vai estar diante do abismo.”

Autoridades etíopes não estavam imediatamente disponíveis para comentar as declarações.

O país é há muito um dos mais pobres do mundo, mas tem se industrializado rapidamente na última década. O plano do governo para realocar terrenos perto da capital se mostrou um tema difícil num país onde muitos são produtores de subsistência.

 
Feyisa Lilesa repete gesto da Olimpíada em entrevista em Washington. 13/9/2016.   REUTERS/Gary Cameron