September 16, 2016 / 4:46 PM / 10 months ago

MPF denuncia 8 presos antes da Olimpíada por ações ligadas ao terrorismo

3 Min, DE LEITURA

Bomb squad agents control the area near the finishing line of the men's cycling road race at the 2016 Rio Olympics after they made a controlled explosion, in Copacabana, Rio de Janeiro, Brazil August 6, 2016.Eric Gaillard

(Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba apresentou denúncia nesta sexta-feira contra oito suspeitos de envolvimento em atos de recrutamento e promoção de organização terrorista, presos desde antes do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Presos desde julho, os suspeitos foram identificados pela Polícia Federal na operação Hashtag, realizada a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos. Os procuradores federais pediram a extensão da prisão preventiva dos denunciados até o fim das investigações policiais.

Os oito irão responder pelos crimes de promoção de organização terrorista e associação criminosa, e cinco deles também foram denunciados por incentivo de crianças e adolescentes à prática de atos criminosos, além de um deles também responder por recrutamento para organização terrorista, informou o MPF em comunicado.

"As autoridades rastrearam redes sociais, sites acessados e as mensagens trocadas entre o grupo pelo aplicativo Telegram, e verificaram intensa comunicação entre os integrantes, conclamando interessados a se organizar para prestar apoio ao Estado Islâmico, inclusive com treinamento já em território brasileiro", disse o MPF em comunicado.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, reiterou nesta sexta-feira que essa é a primeira denúncia com base na lei de terrotismo e que as investigações foram comprovando que eram pessoas que cometerem atos preparatórios.

"Não era organização terrorista profissional, eram amadores e poderiam colocar em risco a Olimpíada e o país", disse o ministro a jornalistas no Rio de Janeiro.

Ao anunciar as prisões em julho, o ministro classificou os suspeitos de "absolutamente amadores" e disse que eles não tinham planos ou capacidades específicas de realizarem ataques durante os Jogos, que tiveram início no dia 5 de agosto.

De acordo com mensagens interceptadas, o grupo planejava organizar célula terroristas nas fronteiras do país com Bolívia, Paraguai e Venezuela e estudava a possibilidade de um ataque químico a uma estação de abastecimento de água durante a Olimpíada, segundo fontes com conhecimento das investigações.

Os advogados dos denunciados contestam a prisão e negam ligação com grupos simpatizantes ao terrorismo.

Por Caio Saad, no Rio de Janeiro, com reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier

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