MPF denuncia 8 presos antes da Olimpíada por ações ligadas ao terrorismo

sexta-feira, 16 de setembro de 2016 13:53 BRT
 

(Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba apresentou denúncia nesta sexta-feira contra oito suspeitos de envolvimento em atos de recrutamento e promoção de organização terrorista, presos desde antes do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Presos desde julho, os suspeitos foram identificados pela Polícia Federal na operação Hashtag, realizada a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos. Os procuradores federais pediram a extensão da prisão preventiva dos denunciados até o fim das investigações policiais.

Os oito irão responder pelos crimes de promoção de organização terrorista e associação criminosa, e cinco deles também foram denunciados por incentivo de crianças e adolescentes à prática de atos criminosos, além de um deles também responder por recrutamento para organização terrorista, informou o MPF em comunicado.

"As autoridades rastrearam redes sociais, sites acessados e as mensagens trocadas entre o grupo pelo aplicativo Telegram, e verificaram intensa comunicação entre os integrantes, conclamando interessados a se organizar para prestar apoio ao Estado Islâmico, inclusive com treinamento já em território brasileiro", disse o MPF em comunicado.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, reiterou nesta sexta-feira que essa é a primeira denúncia com base na lei de terrotismo e que as investigações foram comprovando que eram pessoas que cometerem atos preparatórios.

"Não era organização terrorista profissional, eram amadores e poderiam colocar em risco a Olimpíada e o país", disse o ministro a jornalistas no Rio de Janeiro.

Ao anunciar as prisões em julho, o ministro classificou os suspeitos de "absolutamente amadores" e disse que eles não tinham planos ou capacidades específicas de realizarem ataques durante os Jogos, que tiveram início no dia 5 de agosto.

De acordo com mensagens interceptadas, o grupo planejava organizar célula terroristas nas fronteiras do país com Bolívia, Paraguai e Venezuela e estudava a possibilidade de um ataque químico a uma estação de abastecimento de água durante a Olimpíada, segundo fontes com conhecimento das investigações.

Os advogados dos denunciados contestam a prisão e negam ligação com grupos simpatizantes ao terrorismo.

(Por Caio Saad, no Rio de Janeiro, com reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)

 
Bomb squad agents control the area near the finishing line of the men's cycling road race at the 2016 Rio Olympics after they made a controlled explosion, in Copacabana, Rio de Janeiro, Brazil August 6, 2016. REUTERS/Eric Gaillard