ENTREVISTA-Pacquiao diz que usou drogas mas apoia política de repressão das Filipinas

quinta-feira, 29 de setembro de 2016 15:14 BRT
 

Por Karen Lema e Clare Baldwin

MANILA (Reuters) - O boxeador Emmanuel "Manny" Pacquiao disse que usou vários tipos de drogas na adolescência, mas que apoia totalmente o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, na campanha antidrogas brutal que matou mais de três mil pessoas, a maioria usuários e traficantes, em três meses.

Pacquiao, hoje senador e grande aliado do presidente, também disse que Duterte foi ungido por Deus para disciplinar o povo filipino, e que sua autoridade deve ser respeitada.

"O presidente, ele não sabe da minha experiência com as drogas", disse Pacquiao, de 37 anos, acrescentando ter confiança de que isso não irá prejudicar seu relacionamento próximo.

"Ele sempre dá uma chance a pessoas que querem ser mudadas", disse o boxeador que virou parlamentar em uma entrevista concedida em seu gabinete.

"Eu experimentei drogas... muitos tipos de drogas, todos os tipos de drogas", afirmou, vestido com as tradicionais camisa e calças brancas barong das Filipinas.

Pacquiao disse que essa fase durou anos, "antes de eu me tornar campeão".

Duterte, que tomou posse no dia 30 de junho, fez da guerra às drogas uma elemento central de sua presidência, afirmando que os narcóticos estão destruindo a nação de 100 milhões de habitantes.

Desde então, 3.171 pessoas foram mortas, incluindo usuários e traficantes, quase dois terços delas por homens desconhecidos e o resto em operações policiais legítimas, de acordo com a polícia.   Continuação...

 
Boxeador filipino Manny em Beverly Hills, nos EUA. 08/09/2016 REUTERS/Lucy Nicholson