Acidentes em desmontagem de instalações da Rio 2016 deixam 1 morto e 1 ferido

quarta-feira, 5 de outubro de 2016 18:57 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um operário morreu e outro perdeu uma perna em acidentes durante a desmontagem de equipamentos dos Jogos Olímpicos do Rio, informou nesta quarta-feira à Reuters uma fonte próxima ao assunto, que teme por novas ocorrências devido a dificuldades enfrentadas por prestadores de serviço em meio a atrasos no pagamento do Comitê Rio 2016.

O Comitê Rio 2016 confirmou os acidentes e a morte de uma pessoa, e disse que a responsabilidade por possíveis falhas é das empresas contratadas para realizar os serviços.

Segundo a fonte, que trabalha para uma empresa contratada e pediu anonimato, a segurança dos trabalhadores está fragilizada e ameaçada desde que o Comitê dispensou recentemente mais de 100 fiscais de segurança do trabalho que seriam responsáveis por acompanhar a desmontagem de instalações dos Jogos.

Nos últimos dias, um operário morreu eletrocutado num canteiro de apoio montado nas proximidades de um shopping da zona oeste do Rio de Janeiro, no chamado pólo da Barra da Tijuca, e outro teve uma perna amputada depois de se envolver em um acidente com um poste de luz que fazia parte da arena de vôlei de praia, em Copacabana.

O diretor de comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada, disse que os acidentes ocorreram por possíveis falhas nos canteiros, que são de responsabilidade dos contratados pelo Comitê para realizar a desmontagem dos locais dos Jogos.

“A gente não tinha nenhum controle sobre essas ocorrências; foram em instalações nossas em operações terceirizadas e nos dois acidentes ocorreram erros primários”, afirmou. “A culpa não é nossa, é de quem contrata os funcionários, seja ele de menor ou maior qualidade.“

Para o Ministério Público do Trabalho, o Comitê não pode se eximir de responsabilidades por ter terceirizado os serviços dos Jogos. “Quando você contrata um terceirizado, você tem que fiscalizar e ficar atento para saber se está cumprindo a lei... contratar alguém menos preparado e qualificado. No fim das contas, chegando ao Judiciário, há responsabilização sim do contratante (Comitê)”, afirmou à Reuters a procuradora do MPT Viviann Mattos.

A fonte argumenta que os acidentes podem estar de alguma forma relacionados ao atraso do Comitê Rio 2016 no pagamento de alguns fornecedores e prestadores de serviço contratados para atuar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Segundo a fonte, é natural que com o atraso, as empresas passem a empregar pessoas menos capacitadas e a usar equipamentos mais baratos, o que aumenta o risco de acidentes.   Continuação...

 
Cartaz da Rio 2016 em disputa do polo aquático. 10/08/2016.  REUTERS/Kai Pfaffenbach