Fifa é processada por maus-tratos de trabalhadores da Copa do Mundo do Catar

segunda-feira, 10 de outubro de 2016 13:38 BRT
 

ZURIQUE/DOHA (Reuters) - Um homem de Bangladesh que diz ter sido brutalmente explorado enquanto trabalhava na construção de locais de competição para a Copa do Mundo do Catar de 2022 está processando a Fifa por supostamente não ter usado sua influência para garantir que os trabalhadores sejam tratados justamente.

O Estado do Golfo Pérsico já recebeu críticas da Anistia Internacional e da organização Trabalhadores Internacionais de Alvenaria e Carpintaria, entre outros, pelo tratamento dado a trabalhadores estrangeiros.

Mas o caso anunciado nesta segunda-feira representa a primeira vez em que a entidade que governa o futebol mundial é alvo de um processo.

O processo, aberto em Zurique com apoio do maior sindicato trabalhista da Holanda, pede à Fifa que obrigue o Catar a adotar "padrões trabalhistas mínimos" para os trabalhadores imigrantes que preparam o torneio, incluindo ao menos o direito de se demitir ou sair do país.

O autor da ação aberta na Suíça é Nadim Shariful Alam, de 21 anos, que pede cerca de 11.500 dólares de indenização por um acordo para o qual pagou 4 mil dólares a um recrutador.

Ao chegar ao Catar, seu passaporte foi apreendido e ele foi forçado a trabalhar durante 18 meses sob condições severas, de acordo com o esboço de uma carta a ser apresentada à Corte de Comércio de Zurique.

Ele descarregou navios que transportavam materiais de construção e pagou por refeições no grande campo de trabalhadores em que esteve confinado.

Alam diz que depois foi demitido e deportado, tendo recebido tão pouco que sequer recuperou a taxa de recrutamento original.

         (Por Toby Sterling, Tom Finn e Brian Homewood)