China irrita sambistas brasileiros e censura batucada

sábado, 2 de agosto de 2008 16:13 BRT
 

Por Maurício Savarese

PEQUIM (Reuters) - Dias de clausura, alimentação limitada a sanduíches e proibição de batucada dentro de um bar pela polícia chinesa. Os integrantes da velha guarda da escola de samba Vila Isabel dizem que não esperavam por isso ao serem convidados para uma nada política apresentação na sede da 29a Olimpíada.

Em mais um esforço pré-Olímpico para promover diferentes culturas, o Ministério da Cultura chinês organizou na sexta-feira e no sábado o show "Noite Latino-americana" no Grande Salão do Povo, em Pequim, onde se reúne anualmente o Congresso Nacional do Partido Comunista. Mas, segundo os sambistas, não soube lidar com os convidados estrangeiros.

"Na quinta-feira chegamos às 9 da manhã e tivemos de esperar dez horas para ensaiar. Não podia sair. No dia seguinte foi a mesma coisa. Não aguento mais ver sanduíche e água, que foi tudo que comemos. E comemos no chão, porque não podia sair nem do camarim", disse à Reuters o mestre Adilson Pereira após o show do sábado.

"Batucar também não podia. Nem aqui nem na rua. Quando batucamos em um bar do outro lado do hotel onde ficamos veio polícia e tudo. O que a gente passou aqui não é mole", comentou outro membro da delegação da Vila Isabel.

Segundo ele, os policiais consideraram 1 da manhã um horário inapropriado para manifestações culturais barulhentas dentro do bar.

Uma fonte da diplomacia brasileira em Pequim afirmou que a embaixada deve divulgar uma nota oficial nos próximos dias para lamentar o tratamento dedicado aos sambistas, que seguirão no país para outras apresentações.

PASTICHE

Além dos problemas fora do palco, os sambistas brasileiros também sofreram com o pouco tempo que tiveram para, possivelmente pela primeira vez na história, colocar quatro mulatas para dançar seminuas em um palco onde se reúnem membros do governo chinês.   Continuação...