Mídia chinesa diz que Sarkozy não é bem-vindo nas Olimpíadas

quinta-feira, 3 de julho de 2008 09:13 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, terá uma recepção fria caso vá às Olimpíadas de Pequim, disse a mídia estatal chinesa na quinta-feira, em sinal de irritação com a posição de Sarkozy sobre o Tibete.

Sarkozy disse que vai decidir na semana que vem se vai ou não comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos. Sua escolha depende de como forem as conversas entre as autoridades de Pequim e os enviados de Dalai Lama.

A China frequentemente ataca líderes internacionais que se encontram com o Dalai Lama ou criticam sua política no Tibete, considerada um assunto interno. Os jornais oficiais não pouparam Sarkozy, cujo governo assumiu a Presidência rotativa da União Européia na terça-feira.

"O povo chinês não quer o presidente francês Nicolas Sarkozy na cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim", disse o jornal China Daily, citando uma pesquisa do site Sina.com.cn, uma página extremamente popular no país.

A "pesquisa" coletou 100 mil respostas, das quais 88 por cento eram "extremamente hostis" a Sarkozy, enquanto um número similar disse que não gostaria da sua presença na cerimônia de abertura, segundo a reportagem.

"Os internautas chineses são muito mais diretos --não é 'venha se quiser', é basicamente "não queremos que venha"', disse o jornal China Youth Daily.

A França tem sido alvo de raiva nacionalista depois dos protestos que atrapalharam o revezamento da tocha olímpica em Paris, em abril, devido às políticas da China no Tibete. Muitos chineses boicotaram produtos franceses e fizeram piquetes em frente a lojas da rede de supermercados Carrefour. Sarkozy disse acreditar em um diálogo com a China e que seria contraproducente ofender Pequim.

Mas os comentários raivosos citados pelos jornais chineses sugerem que o público do país reage de forma hostil à imagem do presidente francês.

"O gesto de Sarkozy de impor condições à sua vinda às Olimpíadas é um gesto infeliz em relação à China. Mostra sua imaturidade e negligência como político", disse Wu Yikang, do Instituto de Estudos Europeus de Xangai, de acordo com o jornal China Daily.

(Por Chris Buckley)