Acomodação é o maior desafio do Rio rumo à Olimpíada de 2016

quarta-feira, 4 de junho de 2008 18:55 BRT
 

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Após ganhar o direito de seguir na disputa pelos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro vai se concentrar em melhorar os pontos considerados fracos na proposta da cidade, especialmente o setor de acomodações, item em que recebeu a pior nota na avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) entre as cidades-candidatas.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do comitê de candidatura Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, admitiu que as acomodações são o principal obstáculo para a capital fluminense se tornar a primeira cidade da América do Sul a sediar uma Olimpíada.

"Se formos buscar os pontos que nos preocuparam mais, vamos ter um trabalho maior na área de acomodações", disse Nuzman em entrevista coletiva on-line, de Atenas, onde o COI anunciou que, além do Rio, Chicago, Tóquio e Madri seguem na disputa para sediar a Olimpíada de 2016.

O Rio recebeu a nota 6,4 no setor de acomodações, a mais baixa da cidade brasileira entre os 11 itens avaliados. Suas concorrentes ganharam nota alta: Madri teve 8,8, Chicago levou 9,8 e Tóquio, 10.

Segundo o COI, há na cidade uma "deficiência no número de hotéis 3, 4 e 5 estrelas". Para superar o problema, o Rio propõe o uso de transatlânticos, duas vilas de mídia, e albergues, entre outros. O COB afirma que disponibilizará 49.570 quartos para os Jogos.

Na cidade do Rio, hoje, há 28 mil quartos de hotel, e no Estado, 38 mil quartos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio de Janeiro (ABIH-RJ).

"Hoje a taxa de ocupação dos hotéis da cidade é de 70 por cento, ou seja, já existe 30 por cento de desocupação. Não adianta o COB querer 44 mil quartos se a cidade não tem como ocupar esses quartos depois da Olimpíada. Quando acabar a Olimpíada faz o quê? Fecha o hotel?", afirmou à Reuters Alfredo Lopes, presidente da entidade.

"A média anual de crescimento é de mil quartos, então se continuar crescendo nessa proporção, teremos 36 mil quartos em 2016. O resto completa com navios."   Continuação...