Custo recorde dos Jogos não é problema para economia chinesa

terça-feira, 5 de agosto de 2008 02:31 BRT
 

Por Simon Rabinovitch

Pequim (Reuters) - A Olimpíada de Pequim será, de longe, a mais cara da história, mas a conta de cerca de 40 bilhões de dólares é dinheiro trocado para a crescente economia chinesa.

Ao contrário de outras cidades-sede recentes, de Montreal, em 1976 a Atenas, quatro anos atrás, que acumularam grandes dívidas depois dos Jogos, a capital chinesa pode facilmente bancar novos estádios, metrôs e estradas.

E dos Jogos vai emergir uma economia ainda mais forte devido a todos esses gastos, dizem alguns analistas. "A maior parte do investimento é em infraestrutura permanente, coisas que, acreditamos, a longo prazo, será de fato produtivo para a economia chinesa", disse Andy Rothman, economista de Xangai.

Dos 34 bilhões de dólares em gastos anunciados pelo governo chinês, menos de um quarto será destinado a construção de sedes olímpicas, como o Estádio Nacional, mais conhecido como Ninho de Pássaro.

O custo total dos Jogos, segundo analistas, pode chegar aos 40 bilhões de dólares, devido às perdas das fábricas que vão ficar fechadas durante esse período e outros custos não previstos, e irá superar o recorde que era dos Jogos de Atenas, em 2004, quando foram gastos 15 bilhões de dólares.

Mas, enquanto o débito da Grécia aumentou depois dos Jogos, a China está perto de obter superávit no orçamento.

"O governo chinês está em ótima forma financeira", disse Rothman. "Eles podem claramente suportar todos os gastos com infraestrutura, olímpica ou não."

Pequim pode estar na posição de repetir o sucesso de Barcelona, que incrementou seu apelo turístico e para negócios através dos Jogos de 1992.

A maior incógnita é o quanto a economia de Pequim vai perder davido às dramáticas medidas para reduzir poluição do ar, com o fechamento de centenas de fábricas, paralização de obras e retirada de metade dos carros das ruas.

"É difícil ter uma idéia específica do total das perdas. Há muito pouca informação", disse Qi Jingmei, economista da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Pesquisa, poderosa agência estatal de planejamento.