Polícia recebe novas regras para lidar com a imprensa

terça-feira, 5 de agosto de 2008 06:03 BRT
 

Por Benjamin Lim

PEQUIM (Reuters) - A polícia de Pequim foi comunicada de que não deverá intervir no trabalho dos jornalistas estrangeiros, como parte dos esforços para evitar embaraços durante os Jogos Olímpicos.

A Olimpíada tem levantado críticas globais à China, quanto à falta de liberdade de jornalistas para fazer seu trabalho, de acesso por parte da mídia à Internet e também pelo tratamento dado a dissidentes, reclamantes e tibetanos.

De acordo com documento interno, a que a Reuters teve acesso, novas regras foram listadas na última semana, instruindo a polícia de Pequim a não intervir em discursos públicos antigoverno, relacionados ao banido movimento espiritual conhecido como Falun Gong, a independência de regiões de Xinjiang, Tibete ou de Taiwan.

Eles só podem intervir se houver "uma drástica ação que atraia uma multidão ou afete a ordem pública" na Praça Tiananmen, em Pequim, ou outros locais conhecidos.

As regras foram introduzidas depois de protestos da mídia de Hong Kong contra a polícia empurrando repórteres que cobriam o caos no final da venda de ingressos para a Olimpíada no mês passado.

As regras também esclarecem que a polícia não deve bloquear a visão de fotógrafos e câmeras de TV, nem danificar seus equipamentos.

Autoridades não estão autorizadas a tomar cartões de memória das câmeras, continua o documento, acrescentando que os repórteres não podem ser levados às delegacias de polícia para questionamentos em "casos comuns".

A polícia também foi comunicada para não interferir em entrevistas dos jornalistas com moradores desalojados, proprietários que tiveram terras tomadas, trabalhadores desempregados, anti-japoneses, anti-franceses e ativistas dos direitos humanos, sempre segundo o documento.

"Repórteres estrangeiros não serão mais proibidos de filmar na Praça Tiananmen", disse um dirigente à Reuters, pedindo anonimato.

A agência estatal Xinhua disse que jornalistas precisavam solicitar autorização, com 24 horas de antecedência, para tirar fotos na praça que foi o centro dos protestos por democracia dos estudantes, esmagados por tropas em 1989.