6 de Agosto de 2008 / às 03:52 / 9 anos atrás

Mundos diferentes convivem em região que sofreu ataque na China

Por Emnma Graham-Harrison

KASHGAR, China (Reuters) - Cacos de vidro azul, cabos de energia expostos, buracos onde três árvores eram usadas como moldura para a entrada de uma loja. Este cenário deixa evidente que ali foi o cenário do maior atentado terrorista cometido na China em mais de uma década.

Mas, depois que militantes mataram, na segunda-feira, 16 policiais usando explosivos caseiros e facas em frente à loja de bebidas da remota cidade de Kashgar, o vendedor do estabelecimento está mais frustrado do que com medo.

“Não estou com medo, mas estou sem energia elétrica há dois dias e isso é ruim para os negócios”, disse Hung, que abriu seu negócio 18 meses atrás.

“Tem poucas pessoas em volta e ninguém quer comprar bebidas. Eles apenas entram para olhar e fazer perguntas.”

Huang descarta o risco de novos ataques, assim como boa parte das pessoas da etnia chinesa Han, que vive na remota cidade à margem da Rota da Seda. Ele diz se sentir seguro, mesmo sabendo que o homem que lançou o ataque poderia tê-lo matado.

Os dois terroristas eram uighurs, minoria principalmente muçulmana que domina Kashgar e região, rica em minerais e energia. Alguns grupos separatistas buscam a independência do Turquistão Oriental.

Shi Dagang, chefe do Partido Comunista Chinês em Kashgar, sugeriu que os dois eram ligados a um desses grupos.

Mas, apesar de o massacre, menos de uma semana antes da abertura dos Jogos Olímpicos, chamar a atenção do mundo para as tensões étnicas na distante região oeste da China, a maioria dos chineses da etnia Han entrevistados pela Reuters afirmaram que o fato foi uma anomalia, muito mais do que um alerta.

“A China é muito grande e é claro que coisas assim acabam acontecendo de tempos em tempos”, disse Gu Zhen, natural de Xangai, visitando a ancestral mesquita de Idgah. “Não estou preoucupado por estar nessa região”, completou. DESENVOLVIMENTO X RELIGIÃO

Hans e uighurs às vezes são vizinhos, mas eles têm vidas segregadas com barreiras culturais e linguísticas cimentadas pela desconfiança.

O governo considera a área um modelo de harmonia racial.

“Todos os grupos étnicos vivem amigavelmente juntos aqui. Todos cooperam para construir uma bela nação”, diz um cartaz em inglês no pátio de uma mesquita.

“Um cidadão comum me disse, ‘o partido é muito bom para nós. Nós cultivamos a terra livremente, não temos que pagar pela escola para nossas crianças, temos subsídios para reformar novas casas... onde mais poderíamos ter uma vida tão boa?',” disse uma autoridade de Kashgar em uma entrevista coletiva sobre os ataques.

Mas a maioria dos uighurs se sente excluída do boom econômico da região e, mesmo aqueles que se beneficiam do bom momento, têm diferentes prioridades das de seus vizinho, oficialmente ateus.

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