Mundos diferentes convivem em região que sofreu ataque na China

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 00:53 BRT
 

Por Emnma Graham-Harrison

KASHGAR, China (Reuters) - Cacos de vidro azul, cabos de energia expostos, buracos onde três árvores eram usadas como moldura para a entrada de uma loja. Este cenário deixa evidente que ali foi o cenário do maior atentado terrorista cometido na China em mais de uma década.

Mas, depois que militantes mataram, na segunda-feira, 16 policiais usando explosivos caseiros e facas em frente à loja de bebidas da remota cidade de Kashgar, o vendedor do estabelecimento está mais frustrado do que com medo.

"Não estou com medo, mas estou sem energia elétrica há dois dias e isso é ruim para os negócios", disse Hung, que abriu seu negócio 18 meses atrás.

"Tem poucas pessoas em volta e ninguém quer comprar bebidas. Eles apenas entram para olhar e fazer perguntas."

Huang descarta o risco de novos ataques, assim como boa parte das pessoas da etnia chinesa Han, que vive na remota cidade à margem da Rota da Seda. Ele diz se sentir seguro, mesmo sabendo que o homem que lançou o ataque poderia tê-lo matado.

Os dois terroristas eram uighurs, minoria principalmente muçulmana que domina Kashgar e região, rica em minerais e energia. Alguns grupos separatistas buscam a independência do Turquistão Oriental.

Shi Dagang, chefe do Partido Comunista Chinês em Kashgar, sugeriu que os dois eram ligados a um desses grupos.

Mas, apesar de o massacre, menos de uma semana antes da abertura dos Jogos Olímpicos, chamar a atenção do mundo para as tensões étnicas na distante região oeste da China, a maioria dos chineses da etnia Han entrevistados pela Reuters afirmaram que o fato foi uma anomalia, muito mais do que um alerta.   Continuação...