August 5, 2008 / 11:50 AM / in 9 years

Saco de gelo e hip hop dão força à ginástica feminina do Brasil

4 Min, DE LEITURA

Por Alberto Alerigi Jr.

PEQUIM (Reuters) - Sacos de gelo em tornozelos e joelhos e fones de ouvido são parte do equipamento que as meninas da equipe brasileira de ginástica artística recorrem ao final de seus treinos preparatórios para a Olimpíada de Pequim.

Ao término de mais uma sessão de treinamento nesta terça-feira, Jade Barbosa, Daiane dos Santos, Daniele Hypólito e Laís Souza recostaram-se no fundo do ônibus vazio que as levaria de volta para a Vila Olímpica, em uma rotina que deve se repetir várias vezes antes da estréia em Pequim, dia 10.

O sossego da equipe foi interrompido quando uma horda de lutadores e lutadoras de judô de seleções da Espanha, Turcomenistão e Hungria pegou carona no coletivo reservado exclusivamente ao transporte de atletas, obrigando as pequenas brasileiras a se ajeitarem nos bancos agora lotados.

Ao lado de um lutador da Hungria e de sua companheira de equipe Daniele, Jade usava um saco de gelo enquanto ouvia hip hop em seu iPod.

"Ainda não está cheio, mas tem hip hop, Beyoncé", diz ela à Reuters no ônibus dos atletas. "Todo mundo gosta de hip hop, mas a Dani (Hypólito) gosta de sertanejo também."

A atleta de 17 anos, campeã na prova de salto na Copa do Mundo da Rússia neste ano, chegou a fazer cara de choro quando foi recepcionada no dia 1o por uma multidão de jornalistas no aeroporto de Pequim, mas no ônibus, ao lado das companheiras, disse que está tranquila e que os jornalistas precisam entender o lado dos atletas também.

"Fiquei assustada um pouco, né? Não dava para dar entrevista para todo mundo e eu não sabia para quem responder nem em que língua", disse Jade.

A ginasta, cujo esporte exige sangue frio para encarar saltos complexos, não se importa em ser apelidada de "chorona", e responde de imediato: "Cada um tem as suas dificuldades. As pessoas (jornalistas) têm que olhar o lado dos atletas também, às vezes me fazem perguntas só para eu chorar", critica.

A principal esperança de uma inédita medalha olímpica para a ginástica feminina do Brasil deve competir nos quatro aparelhos. "Quanto mais (provas), melhor", disse ela, que participa de sua primeira Olimpíada.

Mais experiente em sua terceira disputa olímpica, Daniele diz que sua expectativa é "representar bem o meu país" e que "a prioridade é fazer bem o meu papel" ao responder sobre chances de medalha. Segundo ela, Estados Unidos e China vão disputar o ouro e a prata por equipes, e o bronze vai ser decidido pelos países restantes. "Está todo mundo muito igual do terceiro ao 12o lugar."

Por enquanto a rotina da equipe tem sido dedicada aos treinos, mas no final das competições a agenda poderá ter espaço para passeios culturais, que podem incluir a Muralha da China, disse Daiane, dona da coreografia duplo twist carpado ao som de "Brasileirinho".

Segundo ela, a preparação da equipe no Japão foi boa para a aclimatação na China porque o clima estava ainda mais quente que o calor de Pequim. Porém, o entra e sai de lugares refrigerados que incluem locais de treinos, ônibus e vila olímpica é um problema. "Não é muito bom para a saúde", admite.

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