7 de Agosto de 2008 / às 03:10 / em 9 anos

De seda a canecas, atletas brasileiros vão às compras em Pequim

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - Os atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos estão experimentando um pouquinho do que é o grande bazar pequinês nas poucas folgas que conseguem dos treinos nesses dias que antecedem o início das competições.

As "listinhas" de compra trazidas do Brasil incluem principalmente eletrônicos, mas também artesanato local, seda e muitos artigos oficiais dos Jogos, vendidos, por exemplo, em uma grande loja na Vila Olímpica.

A maneira como os chineses barganham chamou a atenção de alguns competidores em lugares como o Mercado da Seda, que apesar do nome está mais para uma Rua 25 de Março, o centro paulistano de comércio popular, onde se pode encontrar praticamente de tudo.

O time inteiro do basquete feminino passeou por lá na folga que se seguiu ao jogo-treino contra a Espanha, na segunda-feira.

"É uma loucura como eles negociam. Te agarram pelo braço, não te deixam ir embora, perguntam quanto você quer pagar", disse a ala Fernanda Neves, que comprou câmaras digitais de encomenda do Brasil, um celular para ela e algumas roupas. "É tudo falso, mas é bem feitinho".

Mas o ambiente do local não agrada a todos. "Aquela negociação maluca é um pouco estressante. Não aguentei ficar lá muito tempo não", contou a catarinense Fabiana Beltrame, que vai disputar a competição do skiff aberto no remo.

Ela levou filmadoras, artesanato chinês e roupas. "Teve uma hora em que uma mulher me segurou e não queria deixar eu ir embora de jeito nenhum".

Juliana Veloso, dos saltos ornamentais, veio com um pedido do pai, uma jaqueta de couro. "Ele levou um tombo há pouco tempo e arrebentou a que tinha".

Para ela, o alvo é uma peça de seda, para confeccionar um vestido no Brasil. "Mas não sou muito de compras não. Sou meio igual homem nesse ponto, quando preciso de algo vou lá, pego e compro".

A nadadora Fabíola Molina, que vai disputar os 100 metros nado costa, além dos revezamentos, encontrou algo bastante comum por aqui, mas que para ela tem um sentido peculiar: uma caneca com a data de 8 de agosto, o dia de abertura dos Jogos.

"Eu faço coleção de canecas e além disso meu marido Diogo e a minha mãe fazem aniversário no dia 8 de agosto, então foi especial", disse ela, estreando um par de óculos escuros novinhos comprados no dia. "Eu adoro óculos".

Mas nem todos se permitem relaxar, mesmo que seja por algumas horas, especialmente quando se está sob o comando de treinadores exigentes ao extremo, como o técnico do vôlei Bernardinho.

"Não estou pensando nisso (compras)", disse o meio-de-rede André Heller, do vôlei. "A gente veio pra cá com um propósito e é só isso que temos na cabeça. Talvez quando estiver indo embora eu veja alguma coisa".

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