Chinês Liu sofre pressão por todos os lados na Olimpíada

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 03:37 BRT
 

Por Mitch Phillips

PEQUIM (Reuters) - Liu Xiang tem mais do que a rivalidade com o cubano Dayron Robles para se preocupar enquanto se prepara para defender o título dos 110 metros com barreira na Olimpíada de Pequim.

Como a australiana Cathy Freeman há oito anos em Sydney, Liu é o foco da equipe de atletismo da China e sua prova no dia 21 de agosto com o homem que bateu seu recorde mundial neste ano será um dos eventos mais observados dos Jogos.

Quando triunfou em Atenas, Liu tornou-se o primeiro medalhista de ouro do atletismo olímpico chinês -- e teve que enfrentar quatro anos de especulações sobre se poderia defender com sucesso o título em casa, em 2008.

Catapultado à condição de estrela, ele agora vê sua imagem em outdoors e seus movimentos são acompanhados por seguranças 24 horas por dia -- apesar de continuar a morar em um modesto flat.

Essa é uma situação que Freeman reconheceria -- ela foi escolhida para acender a pira olímpica em Sydney, mas passou a maior parte dos dois anos anteriores à competição nos Estados Unidos e na Europa para evitar o assédio.

Depois de conquistar a medalha de ouro, ela caiu na pista em uma mistura de alívio e exaustão emocional e física. E não foi surpresa quando alguns meses depois ela anunciou que tiraria um ano de folga para superar tudo isso -- ela acabou de aposentando em 2003.

A vitória de Liu também seria algo especial e com certeza ele seria perdoado se decidisse depois que não há mais muita coisa que poderia conquistar.

Por muito tempo parecia que seria necessário apenas manter a forma para Liu conquistar o título. Mas aí veio Robles, que melhorou o recorde mundial em um centésimo de segundo em junho, para 12s87.

A presença de um adversário tão forte pode ajudar Liu a se concentrar em sua corrida, mas Colin Jackson, cujo recorde de 12s91 Liu igualou na final da Olimpíada de 2004, acha que a pressão pode ser um problema.

"Liu Xiang tem que acordar todo dia de manhã e ver uma imagem de Robles em sua cabeça", disse o britânico no mês passado. "Um tem uma enorme pressão sobre seus ombros, e o outro tem muito a ganhar".