Latinos elogiam 'comida olímpica' mas pedem pratos caseiros

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 12:59 BRT
 

Por Pablo Garibian

PEQUIM (Reuters) - A China enviou a milhares de chefes à escola e contratou inspetores de alimentos para garantir a qualidade da comida durante os Jogos Olímpicos, mas não pôde evitar que muitos atletas latino-americanos ficassem com água na boca, lembrando-se dos pratos de casa.

Desde mexicanos até brasileiros, os atletas estão elogiando os suculentos menus servidos na Vila Olímpica: queijos, verduras, cortes de carne, sushi, comida marroquina... Não falta nada, ou pelo menos é isso o que planejavam os organizadores.

"Estou procurando chilaquiles e gorditas..., procurei todos os dias umas quesadillas ou algo assim, mas não achei", disse Imelda Martínez, jovem nadadora da delegação mexicana.

No gigantesco refeitório das delegações, que funciona o dia todo, sem interrupções, os atletas podem escolher entre comida asiática, internacional, mediterrânea... ou McDonald's.

Embora não seja a opção mais saudável, o McDonald's não cobra um centavo pelos hambúrgueres e, como era de se esperar, é frequentado mais pelas delegações gordinhas do que pelos atletas.

Para os atletas, os organizadores colocaram sinais em cada alimento com nome em vários idiomas, além da quantidade de calorias e proteínas. "Você pode controlar", disse o nadador uruguaio Francisco Picasso.

Em um esforço para acalmar os estômagos ocidentais sensíveis, a China utiliza sistemas de monitoramento por satélite para seguir a rota da comida até a Vila Olímpica. Também há câmeras nas cozinhas, mais de 100 mil cozinheiros para a limpeza dos alimentos e 200 mil inspetores.

Mesmo assim, se alguém se sentir mal, os quiosques de voluntários dentro da Vila Olímpica têm montanhas de medicamentos para curar a diarréia.

"Estamos contentes com a comida, alguns sentem um pouco a falta da feijoada, mas sempre há tempo de sobra para se recuperar e comê-la", disse Marcus Vinicius Freire, chefe da delegação brasileira.