6 de Maio de 2008 / às 21:34 / 9 anos atrás

Bernardinho vê geração "surreal" sem sucessão à altura pós-Jogos

<p>T&eacute;cnico Bernardinho ao lado do filho Bruninho durante treino da sele&ccedil;&atilde;o de v&ocirc;lei do Brasil em Saquarema (RJ), na ter&ccedil;a-feira. Photo by (C) Sergio Moraes</p>

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vislumbra o tricampeonato olímpico, a seleção masculina de vôlei do Brasil viverá nos Jogos de Pequim, em agosto, o fim de uma geração "surreal", nas palavras de seu comandante, que não vê uma repetição do grande sucesso nas mãos dos substitutos.

A previsão do técnico Bernardinho, que vê a Olimpíada da China como o maior desafio de um time que conquistou os principais títulos do mundo nos últimos oito anos, serve de alerta os torcedores acostumados a acompanharem a equipe sempre no lugar mais alto do pódio.

"Não sei se classificar esse ciclo de irreal ou surreal, mas realmente se ganhou mais do que se deveria. Isso talvez seja um legado pesado demais para aqueles que permanecerem", disse o treinador a jornalistas, nesta terça-feira, no primeiro dia de treinamento da equipe para a Liga Mundial e os Jogos Olímpicos.

Após Pequim, os principais jogadores brasileiros devem anunciar o adeus à seleção. O ex-capitão Nalbert e Gustavo já confirmaram que deixam a equipe depois dos Jogos, enquanto Marcelinho, Escadinha, Giba e André Heller dão indicação de que devem seguir o mesmo caminho.

Para seus lugares, Bernardinho promove uma reformulação gradual no elenco, com a entrada de jogadores como Samuel, Bruninho e Lucas em partidas menos importantes. A promessa do técnico é levar cada vez mais jovens para o grupo, e para isso ele vai aproveitar os primeiros jogos da Liga Mundial, que começa em junho e terá sua fase final disputada no Rio de Janeiro, com presença garantida do Brasil.

"Há muitos que vão continuar, outros que estão chegando e carregarão a bandeira. O que não se pode é cobrar, depois de um ciclo como esse -- que não dá pra repetir. Seria uma cobrança injusta demais", acrescentou o treinador.

PESO DO FAVORITISMO

Desde que assumiu a equipe, após a Olimpíada de Sydney, em 2000, Bernardinho levou o Brasil ao título olímpico de 2004, ao bi mundial em 2002 e 2006, ao bi na Copa do Mundo (2003 e 2007), ao título pan-americano no Rio em 2007 e a seis títulos da Liga Mundial.

Para o treinador, reconhecido pela cobrança intensa dos atletas mesmo após conquistas, os Jogos de Pequim serão o maior desafio do time, especialmente por se tratar do fim de um ciclo na seleção para alguns dos principais atletas.

"O Brasil vai enfrentar o maior desafio desses oito anos. A cobrança em cima do favoritismo é maior, e nós chegamos no final de um ciclo", disse Bernardinho, ainda sem futuro garantido na seleção. "Se eu chegar bem até Pequim já está bom. Quando acabar a Olimpíada, a gente faz um balanço."

O representante mais destacado da nova geração é justamente o filho do treinador, o levantador Bruninho, de 21 anos. Depois do desentendimento entre o ex-capitão Ricardinho e o técnico, antes do Pan do ano passado, Bruninho ganhou espaço na equipe e deve ocupar a vaga de titular após a Olimpíada, no lugar de Marcelinho.

"Tudo o que eles conquistaram acaba deixando para nós uma herança com muita responsabilidade. Os torcedores vão imaginar que o Brasil continue sempre nos lugares mais altos do pódio, como tem conseguido sempre", afirmou o jogador.

"A responsabilidade dessa geração é continuar pelo menos trabalhando o quanto eles trabalharam para manter o vôlei do Brasil onde está."

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