8 de Agosto de 2008 / às 00:38 / 9 anos atrás

De barbeador a papel de carta, Vila Olímpica oferece de tudo

Por Alberto Alerigi Jr.

PEQUIM (Reuters) - A nata do esporte mundial está reunida na Vila Olímpica de Pequim em busca de medalhas de ouro, mas às vezes necessidades menos glamourosas se escondem por trás das grades altas, câmeras de segurança e vigilantes impassíveis ao calor e à umidade da cidade. Necessidades como um barbeador ou um papel de carta colorido.

“Estou atrás de um barbeador”, disse o técnico de atletismo da Libéria, Garfield Ellenwood, que tinha acabado de chegar à vila sem o essencial aparelho para uma boa apresentação olímpica diante de câmeras de TV de todo o mundo.

Ao seu lado, a corredora liberiana de 200 e 400 metros Kia Davis ajeitava o cabelo longo, armado num dreadlock.

“É mais conveniente com o cabelo assim, quando corro não fica colando no rosto depois e fica melhor na foto”, brincou ela, enquanto em outro corredor do minimercado instalado na vila um grupo de luta do Azerbaidjão tentava se entender com o pequeno atendente chinês no caixa.

Para muitos, o universo da vila às vésperas da abertura da Olimpíada girou longe da ansiedade em torno das competições. A loja de souvenirs, por exemplo, que recebe cerca de 4.000 visitantes diários ávidos por seus 3 mil produtos, estava lotada na quinta-feira.

A ginasta espanhola Almudena Cid mostrava fascinação a cada item de papelaria mostrado por suas colegas. “Eu já fui a quatro Olimpíadas e esta é a melhor loja de souvernis. A área de papelaria é muito boa”, disse ela, enquanto via um bloco de papel de carta com motivos da Olimpíada de Pequim. “Pareço uma criança, me encanta isso”, afirmou ela, enquanto largava o bloco para ver um estojo de madeira com lápis de cor.

Outros atletas, como o pugilista baiano Robson Conceição, peso-pena, circulavam mais contidos diante da algazarra. “Estou procurando mascotinhos da Olimpíada para a família”, afirmou. Na cabeça, corte curto, pintado pela primeira vez de loiro.

E para além do templo do consumo das estrelas olímpicas, esta quinta-feira assistiu a um desfile de trajes que variavam de sarongues compridos a minissaias e óculos escuros. Chinelos, sandálias e mocassins também passeavam pelo longo corredor formado pela prefeitura da vila e pés de bambu tomados por estridentes cigarras.

Alguns, como membros da delegação da Tailândia, preferiram evitar a informalidade proporcionada pelo calor pequinês e pagavam o preço por isso ao terem seus paletós prateados manchados de suor.

Num meio-termo, o chefe da delegação de natação de Portugal, Rui Magalhães, tentava, em vão, evitar o calor em uma sombra no muro da prefeitura da Vila, vestido em mocassins e terno claro. Boina branca com faixa verde e vermelha na mão, ele não reclamava do calor, mas disse sentir falta de “um bom cozido à portuguesa” no cardápio do restaurante internacional da Vila.

“O calor faz parte, mas o chefe da missão deixou a gente ficar sem a gravata hoje”, disse ele após breve desfile do uniforme que a delegação portuguesa exibirá na cerimônia de abertura dos Jogos, na sexta-feira.

Por outro lado, Dexter St Louis, jogador de tênis de mesa de Trinidad e Tobago, exibia seu rastafari em animada conversa com amigos. Ele disse não reclamar do calor, mas estava bem mais à vontade com os pés em meias brancas e chinelo.

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