Seleção feminina de vôlei busca reforço técnico e emocional

quarta-feira, 7 de maio de 2008 10:24 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As derrotas traumáticas em competições importantes como a Olimpíada de Atenas e o Pan do Rio de Janeiro ainda repercutem na seleção feminina de vôlei do Brasil, que iniciou o trabalho de preparação para os Jogos de Pequim consciente das dificuldades emocionais a serem vencidas.

"Imagina um grupo de 12 mulheres o tempo todo juntas, quando acontece a tal da TPM (tensão pré-menstrual) é muito difícil de controlar. Coitado do Zé", disse a ex-capitão Valeskinha, jogadora mais experiente do grupo, aos 32 anos, lembrando as dificuldades encontradas pelo técnico José Roberto Guimarães para lidar com as meninas.

Depois da eliminação na semifinal de Atenas e da derrota em casa para Cuba na final do Pan, a seleção feminina recomeçou na terça-feira o trabalho para voltar a uma Olimpíada. Em todas as entrevistas, as jogadoras eram questionadas sobre essas derrotas, e passavam uma sensação de ainda não terem se recuperado totalmente dos baques.

Para ajudar fora de quadra, a seleção passou a ter a partir desta semana uma psicóloga convivendo diariamente com as atletas, tanto no centro de treinamento quanto nos amistosos e torneios preparatórios para Pequim.

A intenção de Zé Roberto é levar Sâmia Hallage também para Pequim, o que ainda depende de uma negociação com o Comitê Olímpico Brasileiro. Oficialmente, Sâmia foi apresentada às jogadoras na terça-feira, mas muitas delas já conheciam a psicóloga, que trabalha nas divisões de base do vôlei brasileiro.

"A Sâmia vem somar, ajudar. Não é o fato de resolver todos os problemas, mas o fato de termos mais uma mulher na comissão técnica", disse o treinador, após treino da equipe em Saquarema (RJ). "É importante num grupo feminino ter alguém para ouvir, orientar. No feminino, nós não temos a possibilidade de estar junto com as meninas o tempo todo."

A própria presença de Valeskinha, que passou a jogar como ponta e não mais no meio-de-rede, pode ser um ponto positivo para o astral das jogadoras. A ex-capitã ficou fora do Pan por decisão do treinador, mas ganhou uma nova chance na seleção atuando numa posição diferente.

"Volto muito mais disposta", disse Valeskinha. "Eu acompanhava o que estava acontecendo na seleção, e tentava passar força. Um momento que a gente não esteja bem não significa que não somos uma equipe forte."

 
<p>Paula Pequeno durante treino da sele&ccedil;&atilde;o de v&ocirc;lei do Brasil em Saquarema, na ter&ccedil;a-feira, na prepara&ccedil;&atilde;o para os Jogos de Pequim. Photo by (C) Sergio Moraes</p>