8 de Agosto de 2008 / às 06:06 / 9 anos atrás

Scheidt prevê futuro longo na classe Star

<p>O velejador brasileiro Robert Scheidt com sua medalha das Olimp&iacute;adas de Atenas REUTERS. Photo by Stringer</p>

Por Mauricio Savarese

PEQUIM (Reuters) - Bicampeão olímpico na classe Laser e em busca de ser o primeiro tricampeão brasileiro, o velejador Robert Scheidt vislumbra um futuro longo em sua nova classe, a Star, ao lado do amigo Bruno Prada, podendo chegar até os Jogos de 2016.

A poucas horas de comandar como porta-bandeira a delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, nesta sexta-feira, Scheidt afirmou que a competição que será disputada na raia de Qingdao é mais uma etapa na carreira e que conquistar o ouro “não é uma questão de vida ou morte para a parceria”.

“A nossa dupla não visa só a esses Jogos Olímpicos. A gente pretende que essa seja uma das passagens de um processo que vai durar, tomara, muitos anos ainda”, disse ele em entrevista.

“Pelo menos até Londres (2012) nós devemos estar juntos, mas podemos ir mais adiante ainda, sim”, respondeu ele ao ser questionado sobre se a parceria poderia chegar até a Olimpíada de 2016, à qual o Rio de Janeiro é candidata a sede.

Scheidt evitou comentar a possível conquista do tricampeonato. Para ele, os Jogos de Pequim estão propensos a surpresas por conta dos ventos fracos, dos resquícios de algas no mar da cidade e do nivelamento dos competidores.

Ele vê 9 duplas rivais com chances de subirem ao pódio, e minimiza apenas as possibilidades do barco chinês, composto por dois velejadores inexperientes, segundo ele.

“Eu não fico pensando muito nisso de ser tricampeão, de marcar adversário, de se o vento vai ajudar ou atrapalhar. Estou encarando um dia de cada vez. Se a gente sair daqui com uma medalha olímpica, vai sair muito feliz. Se não, não vai sair feliz, mas a vida continua”, afirmou.

“O foco não é pensar na medalha de ouro, é pensar na performance, em como a gente pode entrar mais tranquilo, com o barco mais acertado. Será uma Olimpíada em que vai vencer quem conseguir sair melhor das situações difíceis.”

Para o velejador, as condições particulares de Qingdao vão influenciar no resultado, mas a habilidade dos esportistas de tomar decisões rápidas será decisiva. Ele minimizou a importância do equipamento para competir com ventos fracos, apesar de a dupla suíça, grande rival dos brasileiros, ter investido em um barco adaptado para essas condições.

Experiente, ele espera disputar a prova mais desafiadora da sua carreira --também por conta da “medal race”, uma regata decisiva na qual a pontuação vale o dobro.

”Essas Olimpíadas na classe Star são um desafio ainda maior. Tem as condições que não são ideais, tem a medal race e também tem a classe nova... porque pra mim esse barco ainda é cheio de mistérios.

BANDEIRA

Scheidt se diz ansioso para entrar no estádio Ninho de Pássaro não só por representar o país, mas também os velejadores -- esportistas que deram o maior número de medalhas olímpicas ao Brasil.

“Espero poder carregar bem a bandeira, representar bem o país. É uma delegação jovem, renovada, com boas chances nessa Olimpíada. Quando estiver com a bandeira na mão com a galera toda atrás, vou sentir uma energia muito especial”, comentou Scheidt. Nos Jogos de Atenas-2004, outro velejador, Torben Grael, foi o porta-bandeira verde e amarelo.

“Carregar a bandeira na abertura da Olimpíada será um momento para eu nunca mais esquecer. É o momento em que a gente percebe como a Olimpíadas é grande, não é uma situação comum.”

Pela primeira vez em Olimpíadas, Bruno Prada afirmou que recebeu conselhos do parceiro para manter a tranquilidade apesar de todo o clima de festa em Pequim antes e depois da cerimônia de abertura.

“Ficamos treinando duas semanas em Qingdao e lá já existe um clima grande, voltado para a vela. Aqui é muito maior. Tem de ter cuca fresca para aguentar isso bem, se esquecer da pressão pelo resultado e velejar do melhor jeito possível”, afirmou.

“Velejar com o Robert é um facilitador porque ele é um cara muito tranquilo e Olimpíada é paciência. Tem de ser encarada como o Mundial ou outra grande competição. Nao é um bicho de sete cabeças. Não podemos nos melindrar”.

Depois da cerimônia de abertura dos Jogos, os velejadores fazem pelo menos três dias de treinos e depois descansam. A primeira regata da classe Star será realizada dia 15 de agosto.

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