9 de Abril de 2008 / às 11:00 / em 9 anos

Tocha divide comunidade chinesa de San Francisco

Por Adam Tanner

SAN FRANCISCO, EUA (Reuters) - A grande comunidade sino-americana de San Francisco encontra-se dividida a respeito da passagem da tocha olímpica pela cidade na quarta-feira.

Alguns sino-americanos afirmam que os protestos contra o símbolo que percorre o mundo antes de chegar ao lar ancestral deles poderia mostrar-se uma situação embaraçosa.

"A maioria dos sino-americanos orgulha-se da China porque o país conseguiu elevar seu padrão de vida", afirmou Rolland Lowe, que trabalhou como médico no bairro Chinatown de San Francisco por 43 anos antes de aposentar-se, dois anos atrás.

"A China costumava ser chamada de o homem doente da Ásia e, para eles, ver o país recebendo as Olimpíadas é um grande motivo de orgulho", acrescentou.

Mas o médico mencionou também a polêmica em torno do controle chinês sobre o Tibet. "Eles mais colocam dinheiro no Tibet do que tiram dinheiro dali. E o Tibet não está cheio de petróleo."

As ações repressivas lançadas pela China contra manifestações antigoverno no Tibet, no mês passado, foram duramente criticadas na comunidade internacional e mancharam os preparativos para os Jogos Olímpicos.

San Francisco é a mais chinesa das cidades norte-americanas, já que quase 20 por cento de sua população possui ascendência chinesa. A cidade, portanto, é uma escolha óbvia para servir de palco único à passagem da tocha olímpica pelos EUA em seu caminho rumo às Olimpíadas de Pequim, que começam em agosto.

No entanto, essa mesma San Francisco, conhecida por suas posturas liberais, costuma canalizar protestos políticos, desde aqueles lançados contra a Guerra do Vietnã nos anos 60 àqueles voltados contra a Guerra no Iraque, nos últimos anos.

Grupos preocupados com o Tibet bem como os que se dedicam a Darfur (Sudão) dizem que a passagem da tocha por San Francisco será uma oportunidade ideal para protestar contra as políticas adotadas pela China.

"Acho que a tocha olímpica provê hoje uma oportunidade ideal para a sociedade civil do mundo todo mobilizar apoio a suas causas e apelos", afirmou Xiao Qiang, ativista dos direitos humanos e professor-adjunto na Universidade da Califórnia em Berkeley.

"O que está acontecendo no Tibet apenas faz com que esse acontecimento seja mais intenso e mais focado", acrescentou. "É inevitável que esse fato, a tocha olímpica, transforme-se em ponto de confluência no qual todos os tipos de manifestante tentarão fazer com que suas reivindicações sejam ouvidas pelo governo chinês."

Grupos de San Francisco já realizaram protestos na cidade. Os mais dramáticos deles ocorreram na segunda-feira, quando ativistas tibetanos escalaram os cabos da famosa ponte Golden Gate a fim de pendurar ali faixas dizendo: "Libertem o Tibet".

"Sabemos que isso é bastante desconfortável para o governo chinês", afirmou Tsering Lama, 23, manifestante tibetano que veio de Toronto. "Até resolvermos a questão do Tibet, eles serão continuamente julgados."

O ator Richard Gere deve discursar em uma vigília pró-Tibet na terça-feira à noite, horas antes da chegada da tocha. E os organizadores do evento esperam que milhares de pessoas contrárias ao domínio chinês sobre o Tibet tomem as ruas da cidade na quarta-feira.

Reportagem adicional de Jim Christie

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