9 de Agosto de 2008 / às 04:54 / em 9 anos

COLUNA-Efeitos e pira refletem momentos históricos em Olimpíadas

<p>A Pira Ol&iacute;mpica &eacute; acesa nos Jogos de Pequim t. Photo by Gary Hershorn</p>

Por Denise Mirás e Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A pira olímpica dá o recado. Por mais que os estádios estejam prontos, que a lição de casa tenha sido feita, é na hora de acender a pira que uma Olimpíada diz a que veio.

O acendimento da pira é o clímax da festa depois de a tocha olímpica passar por milhares de mãos em seu revezamento por inúmeras cidades. E depois de enfrentar situações inusitadas, emocionantes ou complexas, tanto quanto a imaginação dos organizadores pode alcançar.

O segredo é essencial para o fator surpresa -- quase tão importante quanto manter todos às escuras sobre quem vai acendê-la é surpreender com os efeitos especiais. E cada país aproveita a situação para dar seu recado.

Na China, na sexta-feira, em uma festa envolta por todos os tipos de simbolismo -- do número 8 da sorte aos 5 mil anos de história chinesa -- o “príncipe da ginástica” Li Ning, tricampeão olímpico, mostrou aos 44 anos uma enorme coragem e atleticismo ao ser erguido sobre a platéia.

Ele circulou o Ninho de Pássaro como se estivesse correndo em câmera lenta, lembrando cenas de magia em lutas marciais de recentes filmes chineses. E então, parando em pleno ar, acendeu um pavio que levou a chama até a pira, também ela em forma de papiro.

Sob o domínio dos simbolismos, os desenhos gráficos copiados da tocha para a pira mostram nuvens de sorte e expressam harmonia -- palavra-chave para os chineses, que também expressa o ideal para uma Olimpíada.

Uma escadaria imensa no histórico Coliseu de Los Angeles, que já tinha sido utilizado na Olimpíada de 1932, se abria à frente do ex-decatleta Rafer Johnson (ouro em Roma-1960), o escolhido para acender a pira nos Jogos de 1984. Nestes, não foi o acendimento da pira que entrou para a história, mas o “astronauta” voando sobre o campo com uma espécie de macacão motorizado.

A tecnologia deu lugar à tradição, na abertura de Seul-1988, com uma cerimônia que destacou a importância da terra, do ar e da água, dividindo-se entre o estádio, o ar e um desfile de barcos antigos no rio Han.

A platéia foi à loucura quando Sohn Kee-Chung, de 76 anos, vencedor da maratona em 1936, entrou com a tocha no estádio. Ele tinha sido forçado a disputar a maratona usando um nome japonês porque a Coréia era então ocupada pelo Japão.

Barcelona-1992 quebrou o ar militaresco da cerimônia de abertura. Os atletas já não marchavam no desfile -- a descontração era total depois do “Mar Mediterrâneo” inundar o Estádio Olímpico em formas fantásticas mesmo para um deslumbrado astro como Michael Jordan, que formava com outras estrelas o “Dream Team” da NBA, que chegava a uma Olimpíada pela primeira vez.

Os catalães provocaram discussões imensas, furiosas e bem-humoradas com o acendimento da pira, a cargo do arqueiro paraolímpico Antonio Rebollo.

Em Barcelona, a informação era de que havia um bico de gás, que seria aceso quando a flecha em chamas fosse atirada por cima da pira. Muita gente, entretanto, ao ver que a flecha não foi cravada no alvo, achou que o arqueiro “errou o tiro”.

Em uma cerimônia que teve até merchandising -- e Atlanta-1996 seria marcada por ter extrapolado totalmente no aspecto mercadológico --, o acendimento da pira na Olimpíada seguinte tornou-se marcante pela pessoa encarregada de fazê-lo: Muhammad Ali, com Síndrome de Parkinson, que tinha sido execrado nos Estados Unidos por negar-se a lutar no Vietnã quando se tornou muçulmano, alguns anos depois do ouro dos pesados do boxe em Roma-1960.

Mais que isso: era um negro, em cerimônia no sul do país, que já foi marcado pelo forte racismo, na terra de Martin Luther King.

Já Sydney-2000 optou por um gesto de reconciliação nacional, quando a corredora aborígene Cathy Freeman criou um círculo de fogo no meio de um espelho de água, com uma cascata ao fundo.

A Olimpíada levou o país a uma reflexão sobre o massacre dos aborígenes -- e também a necessidade de se cuidar do meio ambiente: uma tocha especial foi levada sob a água no nordeste do país, junto à barreira de coral australiana, um patrimônio ameaçado.

Em Atenas-2004, que celebrou ideais gregos como a ética, uma enorme pira na ponta do estádio desceu totalmente para que o velejador campeão olímpico Nikolaos Kaklamanakis pudesse acionar seu fogo.

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