China tenta mostrar ao mundo que dá liberdade para a imprensa

domingo, 10 de agosto de 2008 23:41 BRT
 

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - A cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2008 está tendo um grande trabalho para mostrar ao mundo que se empenha para garantir a liberdade de imprensa, ao passo que entidades que reivindicam direitos de liberdade continuam rodeando o governo para garantir aos repórteres direitos básicos.

Os organizadores dos Jogos começaram a promover entrevistas coletivas sobre tudo, de economia a política e cultura, sem mencionar esportes, pouco mais de duas semanas antes da abertura dos Jogos, ansiosos para demonstrar abertura em todas as frentes.

Número de telefone de ministros, inclusive os pouco usuais e até então secretos telefones celulares, são publicados online e houve uma redução das restrições ao trabalho de repórteres na normalmente fortemente guardada Praça Tiananmen.

Antes da abertura dos Jogos, o porta-voz do governo, Guo Weimin, deu passo pouco comum ao interromper uma entrevista coletiva em que ele estava expondo a performance econômica do país no primeiro semestre para reforçar a liberdade de imprensa.

"Os organizadores dos Jogos de Pequim têm trabalhado duramente para cumprir sua promessa de permitir que jornalistas estrangeiros cubram a Olimpíada", disse. "Quase todo dia daremos, em média, duas entrevistas coletivas."

As entrevistas coletivas sobre assuntos mais delicados na China também experimentam um certo afrouxamento.

No sábado, o prestativo Wang Dexue, vice-chefe da Administração Estatal de Segurança do Trabalho, lia um informativo entregue antecipadamente aos repórteres quando, simplesmente, abriu para perguntas.

"Nós podemos relaxar sobre essas coisas, hoje", disse Wang aos repórteres, que puderam ouvi-lo sobre assuntos não relacionados à Olimpíada.   Continuação...