June 10, 2008 / 3:30 PM / 9 years ago

Vaticano vai enviar bispo a cerimônia de abertura da Olimpíada

3 Min, DE LEITURA

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano vai mandar um bispo de Hong Kong para representar a Igreja Católica na cerimônia de abertura da Olimpíada, mas não deve ocorrer uma retomada das relações diplomáticas com a China, disse uma importante autoridade do Vaticano nesta terça-feira.

"Há sinais regulares de melhora nas nossas relações com a China, mas ainda há um longo caminho. Não vejo nenhuma reconciliação no futuro próximo", disse à Reuters a autoridade, que pediu para não ser identificada.

A autoridade do Vaticano disse que John Tong Hon, bispo assistente em Hong Kong, representaria a Igreja e, indiretamente, o Estado soberano do Vaticano.

A presença de Tong, sucessor do cardeal Joseph Ze-kiun, na Olimpíada é o mais recente de uma série de sinais de que as relações entre a China e o Vaticano não estão mais tão frias.

Na China há de 8 a 12 milhões de católicos, divididos entre a Igreja aprovada pelo governo comunista e a Igreja "clandestina", leal ao papa.

O papa Bento 16, cujo principal objetivo é melhorar as relações com a China, disse que a Olimpíada de Pequim seria "de grande valor para a humanidade".

No mês passado, a orquestra estatal chinesa tocou no Vaticano e o embaixador de Pequim em Roma se mostrou otimista quanto à possibilidade de uma reconciliação no futuro próximo.

Mas a autoridade do Vaticano consultada pela Reuters disse que a situação "não é tão otimista" quanto disse o embaixador, acrescentando que, agora, a China precisa mais do Vaticano do que este da China.

A China disse que, antes de retomar as relações com o Vaticano, suspensas dois anos depois de os comunistas tomarem o poder, em 1949, é preciso que rompam com Taiwan, considerada uma província renegada pela China.

A autoridade do Vaticano disse que não há planos de reduzir a presença do Vaticano na embaixada em Taiwan.

O ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, em visita a Roma na terça-feira, garantiu que a China tem liberdade religiosa e disse que a cerimônia de abertura dos Jogos não deve ser politizada.

"Achamos que este evento não deve ser politizado. Esta não é só a posição do Estado chinês, mas de vários outros governos no mundo todo", disse.

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