12 de Abril de 2008 / às 00:27 / 9 anos atrás

Tocha olímpica passa sem incidentes por Buenos Aires

<p>O empres&aacute;rio argentino-chin&ecirc;s Hang Hao corre com a tocha dos Jogos de Pequim durante revezamento internacional da chama pelas ruas da capital argentina, nesta sexta-feira. Photo by Marcos Brindicci</p>

Por Karina Grazina

BUENOS AIRES (Reuters) - A tocha olímpica, que tem atraído protestos contra a China, passou por Buenos Aires na sexta-feira praticamente sem incidentes, mas sob forte vigilância. A única ameaça à chama foram as bexigas com água atiradas por um casal.

Pelas ruas e pelo porto, o revezamento sem interrupções contrastava com as cenas caóticas vistas na última semana em Londres, Paris e San Francisco, onde os organizadores apagaram e esconderam a tocha para evitar que ela fosse atacada.

A tocha simbólica está percorrendo o mundo até chegar a Pequim, sede da Olimpíada de agosto. Ela atrai protestos contra várias atitudes do regime chinês, especialmente a repressão do mês passado aos protestos no Tibet.

Em Buenos Aires, a maior concentração do público para ver a tocha foi em torno do obelisco da avenida 9 de Julho. Havia muito mais gente tirando fotos com celulares do que protestando pelo Tibet.

"Estamos realmente felizes por tê-la feito passar", disse, aliviado, o subsecretário municipal de Desportos, Francisco Irarrazabal, ao final do evento.

A polícia manteve separados os grupos pró e contra a China, que se concentraram diante da Casa Rosada e de outros pontos do percurso de 13,8 quilômetros.

Após um primeiro trecho junto ao rio da Prata, a tocha foi colocada num bote e transportada a remo até o Puerto Madero, região de bares e restaurantes à beira-rio.

O jogador de vôlei de praia Emanuel, campeão olímpico ao lado de Ricardo nos Jogos de Atenas-2004, foi o representante brasileiro no revezamento. Ele recebeu a tocha das mãos do boxeador Pablo Chacón e estava visivelmente emocionado.

<p>Tocha ol&iacute;mpica passa sem incidentes por Buenos Aires. A nadadora Georgina Bardach carrega a tocha ol&iacute;mpica. A tocha, que tem atra&iacute;do protestos contra a China, passou por Buenos Aires praticamente sem incidentes, mas sob forte vigil&acirc;ncia. A &uacute;nica amea&ccedil;a &agrave; chama foram as bexigas com &aacute;gua atiradas por um casal. 11 de abril. Photo by Reuters</p>

"Os argentinos foram muito receptivos, passaram muito carinho e mostraram muito respeito ao Brasil...Foi maravilhoso, uma experiência única, diferente de tudo o que já senti nas quadras", disse ele em nota divulgada por sua assessoria.

CERCO À TOCHA

De volta a terra, a tocha foi cercada por guardas chineses fardados de azul, que formavam um círculo em torno de cada personalidade que levava a chama. Um forte esquema de segurança com veículos e motos escoltava os guardas.

"Não é a China que está organizando a Olimpíada, é o Partido Comunista, para mostrar um país harmonioso, dizer que todos os chineses estão felizes, que respeitam os direitos humanos. Mas é exatamente o contrário", disse Alberto Peralta, que participou dos protestos contra a situação dos direitos humanos e do Tibet.

Pequim condena os protestos junto à tocha e culpa o Dalai Lama, líder espiritual budista no exílio.

"Os manifestantes são um grupo político que pretende destruir [a China]. [A Olimpíada] não é para protestos, é algo bom para todos. As pessoas não deveriam ser contra ela", disse Lin Yonggui, um chinês de 25 anos que vive há 13 na Argentina e participava das manifestações a favor do país, nas quais muitos usavam jaquetas vermelhas.

Buenos Aires havia se preparado para a violência, com 1.500 agentes da Guarda Costeira, 1.200 policiais e 3.000 funcionários públicos de prontidão.

"Obviamente não podemos ignorar sobre o que as pessoas estão protestando. É uma questão que deve ser tratada, mas não podemos deixar isso estragar esta festa, que é do esporte", disse a ex-tenista Gabriela Sabatini, antes de receber a tocha.

A próxima etapa da chama olímpica será a Tanzânia. A ministra queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz, decidiu boicotar o revezamento para o qual havia sido convidada.

Reportagem adicional de Cesar Illiano e Kevin Gray

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