14 de Agosto de 2008 / às 06:15 / 9 anos atrás

Chineses tentam tirar a pressão sobre seus próprios atletas

Por Paul Majendie

PEQUIM (Reuters) - Imagine só a pressão: o peso da expectativa de toda a nação em seus ombros, um quinto da humanidade torcendo por você. E aí você perde.

No estande de tiro, as lágrimas afloram. Na pista de esgrima e na quadra de badminton, toda a expectativa reprimida se torna insuportável.

Agora -- dizem a mídia, os blogueiros e as pessoas na rua --, é hora de "dar um tempo" aos atletas.

Du Li era favorita indiscutível para conquistar o primeiro ouro olímpico para a China, na prova feminina da carabina de 10 metros. Ela falhou, ficando fora do pódio, e deixou o estádio sem nem conseguir falar.

Para a Televisão Central da China, segurando o choro, falou aos telespectadores: "Eu queria muito ver a bandeira chinesa no alto do pódio. Dei tudo de mim."

Não se preocupe, disse um blogueiro, tentando animar a atiradora: "Ouvi dizer que todos os atletas do país-sede das últimas Olimpíadas falharam ao tentar a primeira medalha de ouro. Então, por que você deveria ser exceção?"

Zhua Qinan chorou no pódio quando teve de se contentar com a prata no prova masculina da carabina de 10 metros.

Outro blogueiro, citado pela agência estatal de notícias Xinhua, disse a ele: "Não chore, meu herói. Você terá muitas oportunidades no futuro."

"Não importa o que aconteça, amaremos você para sempre", outro blogueiro disse à esgrimista Tan Xue, após sua derrota.

Para o esquiador austríaco Franz Klammer em Innsbruck, para a corredora australiana Cathy Freeman em Sydney, é tudo uma questão de foco.

Eles tiveram de bloquear qualquer pensamento sobre os anseios de toda uma nação por uma vitória. O campeão mundial Liu Xiang "só" tem de fazer isso nos 110 metros com barreiras.

O jornal China Youth Daily argumentou que já era tempo de parar de pressionar tanto por um ouro nesta Olimpíada em casa.

"Precisamos desenvolver confiança, racionalidade, abertura e tolerância apropriadas para cidadãos de um nação de crescimento emergente tão rápido", disse o jornal. "Ser um bom anfitrião é mais significativo e mais gratificante do que apenas ficar cavocando medalhas de ouro."

O cidadão comum tende a concordar.

"O importante é mostrar a China e Pequim para o mundo inteiro", disse Sun Weiming, 46 anos, comendo em um restaurante da capital com amigos.

"Meses atrás, todo mundo estava falando sobre o Tibete, mas os estrangeiros precisam saber a verdade sobre a China. E a gente acredita que por meio dos Jogos Olímpicos o mundo todo possa conhecer a verdade."

Reportagem adicional de Nick Macfie

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