Amadurecido, judoca Tiago Camilo se vê no auge em Olimpíada

quinta-feira, 15 de maio de 2008 16:46 BRT
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - Após ser derrotado na decisão do torneio olímpico de judô há oito anos, em Sydney, Tiago Camilo saiu do dojô às lágrimas e praguejando, apesar do resultado promissor para o atleta de apenas 18 anos. Hoje, mais maduro e já campeão mundial, ele se vê no auge para lutar pelo ouro na China.

"Os campeões mundiais como eu vão ter um caminho difícil em Pequim, todo mundo sabe como nós lutamos. Mas acho que estou perto do meu auge nos três aspectos que importam: mental, físico e técnico", disse o judoca, classificado para a disputa na categoria até 81 quilos, em entrevista à Reuters.

"A minha categoria atual é diferente da que disputei em Sydney e é a mais acirrada do judô mundial. Pelo menos outros oito têm chance de serem ouro também. Por isso é que vai depender da chave, do preparo psicológico, de cuidar do peso", disse. "Tenho boas chances, já amadureci como atleta, até porque eu vivo uma carreira muito intensa, mas vamos ver até lá."

Emoção certamente não faltou até agora na trajetória desse paulista de Bastos, que hoje vive em Porto Alegre para treinar ao lado do amigo e bicampeão mundial João Derly.

Dono do título mundial juvenil em 1998 e do júnior, em 1999, Tiago Camilo diz que conquistou a prata em Sydney ainda como peso leve sem saber exatamente o que uma Olimpíada representa na vida de um atleta.

Agora ele afirma entender isso melhor, depois de ter ficado de fora de Atenas-2004 por conta de uma tortuosa disputa com o seu principal rival na categoria que adotou após Sydney.

"Essa rivalidade com o Flávio Canto foi boa porque nos puxou para um nível mais alto. Nós somos muito competitivos e disputamos a vaga ao máximo, o que é sempre um grande incentivo", disse o judoca.

Na seletiva para a Olimpíada grega, Tiago Camilo chegou a ir à Justiça para tentar anular a vitória do adversário na classificação para os Jogos de 2004. Ele vencia a luta decisiva entre os dois até ser punido a dois segundos do fim do embate. "Isso tudo já passou e o importante é que o judô brasileiro vive um bom momento, porque proporciona rivalidades na minha categoria e em outras também. De dez anos para cá, dá para ver que existe mais incentivo e que a qualidade aumentou."   Continuação...