Eu faria de novo na China, diz atleta da "força negra" em 1968

terça-feira, 15 de abril de 2008 11:32 BRT
 

PARIS (Reuters) - Um corredor norte-americano que fez história nos Jogos Olímpicos de 1968 ao erguer o punho cerrado com uma luva preta no pódio para protestar contra o racismo disse que a Olimpíada de Pequim é uma oportunidade para os atletas enviarem uma "mensagem de coragem".

Entrando no debate sobre se os atletas devem ou não usar a Olimpíada para protestar contra a repressão chinesa a manifestações de monges no Tibet, John Carlos disse ao jornal francês Le Monde que se ele fosse competir, encontraria uma forma de expressar oposição à China.

"Se eu fosse um atleta hoje, eu saberia como ser criativo e eu faria uma declaração para mostrar que discordo do que está acontecendo", disse ele ao jornal.

"Quando você faz esse tipo de declaração pública, você manda uma mensagem de coragem ao mundo."

Medalhista de bronze dos 200 metros nos Jogos da Cidade do México em 1968, Carlos juntou-se ao campeão olímpico da prova, o também negro norte-americano Tommie Smith, ao levantar o punho e socar sua cabeça no pódio enquanto o hino dos Estados Unidos era tocado.

O protesto contra o racismo e a favor da "força negra" marcou o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos e faz parte da história dos Jogos Olímpicos.

Carlos carregou uma "tocha pelos direitos humanos" durante protesto em San Francisco no dia 5 de abril, poucos dias antes de manifestações pró-Tibet terem causado transtorno à passagem da tocha olímpica de Pequim pela cidade.

Ele disse ao Le Monde que o Comitê Olímpico Internacional estava errado por escolher Pequim como sede dos Jogos.

"Um dos pontos-chave no caráter olímpico é a não violência. Como podemos falar sobre não violência em um clima tão violento quanto o da China?"

(Por Estelle Shirbon)